Vídeos de protestos na China começam a furar poderoso sistema de censura chinês

Vídeos sobre manifestações contra políticas de lockdown começaram a aparecer em apps chineses e sites mainstream como Twitter e Instagram

Vídeos de protestos que estão ocorrendo na China desde o último fim de semana continuam disponíveis e seguem surgindo na internet, em um sinal que sugere que o poderoso sistema de censura chinês não está dando conta do volume de publicações.

CONTEXTO. No fim de semana, protestos surgiram em dezenas de cidades chinesas contra a política de Covid Zero do governo chinês.

A faísca que desencadeou esse tipo de manifestações – que são extremamente raras na China – foi um incêndio em um prédio na cidade de Urumqi, no oeste do país, que matou 10 pessoas.

Segundo o New York Times, as pessoas não conseguiram deixar o local por conta das duras restrições de lockdown - como portas trancadas por fora e escadas de incêndio fechadas com cadeado. Mas logo, outras demandas maiores, como liberdade de imprensa, pedidos por democracia e insatisfação com a resposta chinesa à pandemia, engrossaram o caldo das reinvindicações.

CENSURA. O sistema de censura chinês, uma combinação de censores humanos com bloqueios tecnológicos, é considerado o mais sofisticado do mundo.

Ainda assim, vídeos das manifestações continuavam a surgir em apps chineses como WeChat e Douyin (o TikTok chinês). Segundo especialistas ouvidos pelo NYT, o volume de conteúdo pode ter sobrecarregado os mecanismos de censura.  

  • Firewall: O sistema de censura chinês foi lançado em 2000 com o projeto "O Grande Escudo Dourado", popularmente conhecido como firewall. É um conjunto de ações legislativas, bloqueios tecnológicos, vigilância digital e censores humanos que impedem chineses de acessar certos sites e gerar alguns tipos de conteúdo. Na prática, é esse mecanismo que separa a internet chinesa, por onde circulam mais de 1,4 bilhão de pessoas, do resto do mundo.

Manifestantes chineses estão usando a criatividade para burlar o sistema que detecta conteúdo, espelhando vídeos, aplicando filtros ou gravando vídeos de vídeos.

De acordo com o NYT e o Wall Street Journal, também está crescendo o número de chineses que estão usando mecanismos para ter acesso a sites restritos na China, como Instagram e Twitter. Como o governo chinês não pode agir sobre esses sites, esses espaços estariam se tornando repositórios de conteúdos sobre os protestos.

Usuários fora da China têm recebido vídeos e fotos de pessoas dentro da muralha para postar o conteúdo e disseminá-lo.

Uma destas pessoas, com quem o WSJ conversou, disse que está recebendo mais de uma dúzia de mensagens por segundo com vídeos, mesmo volume que ele costumava receber por dia.

Texto Laís Martins
Edição Julianna Granjeia

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