Em 19.nov.25, o Núcleo publicou a reportagem "Big Techs pagaram R$289 bilhões em impostos por dinheiro enviado ao exterior desde 2022", com base em dados oficiais da Receita Federal enviados à Câmara dos Deputados. Em 9.dez.25, o Ministério da Fazenda encaminhou nova documentação ao Congresso, substituindo integralmente a nota técnica anterior.

Os valores corrigidos são significativamente menores: R$60,9 bilhões no total – e não R$289 bilhões como informado anteriormente.

*Valores de 2025 são referentes ao período de janeiro a outubro.

Além da diferença nos valores totais, a Receita alterou as categorias de receita apresentadas e o próprio título da tabela — de "Remessas enviadas ao exterior" para "Arrecadação referente às remessas ao exterior".

A nova nota técnica afirma apenas que "substitui integralmente" a anterior, sem explicar o motivo da correção ou a origem do erro.

O Núcleo solicitou esclarecimentos à Receita Federal sobre a causa da divergência nos dados e não obteve resposta. Esta nota será atualizada se houver retorno.

Confira os questionamentos do Núcleo à Receita Federal

  1. Foi a reportagem do Núcleo, publicada em 19 de novembro e republicada por diversos veículos da imprensa, que motivou a revisão dos dados? Se não, o que motivou essa revisão?
  2. Qual foi a causa do erro que levou à publicação de valores entre 4 e 6 vezes superiores aos corretos na Nota nº 133/2025?
  3. Os dados originais incluíam, por equívoco, remessas de outras empresas além das seis Big Techs solicitadas no requerimento? Se sim, de quantas empresas?
  4. Houve falha na extração dos dados do Sistema DW Arrecadação, erro de filtro, ou outro tipo de problema metodológico?
  5. Por que as categorias de receita foram alteradas entre uma nota e outra?
  6. A Nota nº 133/2025 chegou a ser utilizada para subsidiar alguma decisão, discussão legislativa ou divulgação pública antes de sua substituição?
  7. Quais medidas foram adotadas para evitar que erros semelhantes ocorram em futuras respostas a requerimentos de informação?
Texto Sofia Costa
Edição Alexandre Orrico