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Luiza Caires Luiza Caires
A coruja que transformou cientistas em fofoqueiros

Caburé-do-campo, coruja-barata, coruja-mineira, corujinha-do-campo, guedé, urucuera, urucuriá, coruja-cupinzeira. A protagonista desta história leva nomes diferentes dependendo da região onde aparece. Mas se é conhecida por, na maioria das vezes, preferir a toca, ela também sabe ser uma senhora linguaruda. E tem a habilidade de transformar também os pesquisadores em... fofoqueiros.

Calma que eu explico. Tudo começou quando a bióloga Juliana Moraes agitou o pessoal do Twitter para contar qual havia sido o achado mais inesperado com que eles já tinham se deparado durante suas pesquisas.

E ela inaugurou a série contando como, no seu trabalho de conclusão de curso feito na UFBA, descobriu que corujas-buraqueiras eram também fofoqueiras.

🦉 Como assim?

Assim: "elas aprenderam e entendem a vocalização de alerta de uma outra espécie. Aí elas entram em alerta só de ouvir uma vocalização, mesmo sem ter nenhuma ameaça próxima."

E tem mais: "a outra espécie tinha zero intenções de favorecer as corujas, mas elas são fofoqueiras e pegam a conversa no ar."

A Juliana também explorou mais do achado em vídeo:

@meninadospassarinhos

Coruja maria fifi? Temos! #CapCut #avesderapina #ornitologia #tokdeciência #sciencetok #aves #divulgaçãocientífica #aprendanotiktok #ciência #biologia #coruja

♬ som original - Juliana Moraes

Se a coruja gostou ou não do título… aí já é outra história.

Meme: @glaucioanka

Mas o mais legal foi que, com o empurrãozinho da Juliana e suas corujas, os pesquisadores desataram a "fofocar" sobre seus achados. E compartilharam com a gente descobertas surpreendentes reveladas ou aprendidas durante os estudos.

Acompanhe o que rolou de melhor, e surpreenda-se junto.

Botânica indecente

Paula Penedo, que é jornalista e pesquisa mulheres na botânica brasileira, resgatou esse interessantíssimo fio sobre como, no século 19, a ciência e a botânica já haviam sido consideradas práticas adequadas para "mulheres de bem"...

Mas isso até vir o sistema de Lineu, com as categorias reino, classe, ordem, gênero e espécie, e a divisão das plantas baseando-se nos papeis sexuais de cada uma. "Então, o número e proporção dos estames (parte “masculina”, “ativa”) definia a classe. Os pistilos (parte “feminina”, “receptiva”) definiam a ordem."

"O Grande Lírio de Nainee Tal", de Marianne North, naturalista e artista botânica. Foto: Royal Botanic Gardens

Como detalhou a Paula, isso representou um dilema para autores 'progressistas', que defendiam uma educação feminina, mas consideraram o tema muito delicado para a “modéstia” e a “castidade” delas.

(E olha que nem precisava se tratar de umas plantas assim, com uma associação mais... explícita 👇)

Bom, o resultado é que a partir de 1820, este, entre outros fatores, resultaram na criação de estratégias para “desfeminizar” a imagem da botânica.

"No fim, os pensadores começaram a separar o botânico (cientista) do 'botanófilo' (entusiasta). E é claro que elas se enquadravam no último. O exemplo mais forte foi quando John Lindley, em sua aula inaugural na Universidade de Londres (1830), afirmou que as mulheres deveriam sair da botânica porque o que elas faziam não era ciência". Revoltante, mas real.

Neste filme da Disney, aliás, a atriz Emily Blunt interpreta uma botânica que, mesmo no início do século 20, não era aceita pelos pares e teve um artigo recusado por ser mulher. A maior parte do enredo se desenrola na Amazônia brasileira, para onde ela vai em missão atrás de uma árvore cujas flores teriam propriedades curativas.

Quem quiser ir mais fundo nessas histórias da ciência, pode ir direto no livro que a Paula usou como fonte da thread: Cultivating Women, Cultivating Science: Flora’s Daughters and Botany in England, 1760 - 1860, da Ann B. Shteir.

Imprimindo impressoras 3D

Impressoras 3D sofrem evolução lamarckista. Quem garante é Artur Lino, estudante de engenharia de Controle e Automação na PUC de Goiás.

"Tem aquela piadinha de que se eu comprasse uma impressora 3D, iria construir outra impressora 3D com essa primeira e iria devolvê-la para a loja. Acontece que já rola uma coisa parecida", explicou ele para um leitor curioso, se referindo à iniciativa de open source (código aberto) RepRap. Que assim se descreve:

"RepRap é uma Impressora 3D de mesa e de código aberto que tem a capacidade de imprimir objetos plásticos. Como a maioria das peças são feitas de plástico e a própria RepRap pode imprimir estas peças, então ela é uma máquina auto-replicavél - ou seja, algo que qualquer um pode construir tendo o tempo e os materiais necessários." (RepRap.org)

Assim, a comunidade pode colocar todas as ideias e projetos de impressoras 3D inventados no repositório, para permitir melhorias nas demais. Mas e o Lamarck com isso?

Vamos lembrar que a teoria evolutiva (depois superada) proposta pelo biólogo francês se baseia em algumas leis que incluem o uso e desuso - partes do corpo usadas com frequência tornariam-se mais desenvolvidas, enquanto que as pouco utilizadas poderiam ser diminuídas e até   extintas - e na herança de características adquiridas - as mudanças estruturais obtidas durante a vida do indivíduo poderiam ser passadas à sua prole (Khan Academy).

No caso da impressora, "as melhores adições ficam no projeto, e o que não é bom sai. Mas note que as modificações são feitas com intuito e durante a vida da impressora e passam para frente a partir daí", justifica Artur. "Tudo isso caracteriza a evolução lamarckista", diz ele, que conheceu a iniciativa logo que entrou na faculdade, ao acompanhar o trabalho de conclusão do irmão, que fazia o mesmo curso, e estava montando uma dessas impressoras, batizada de Prusa Mendel (muitos modelos levam nomes de cientistas).

A Mendel foi um dos primeiros modelos de RapRap. Foto: RepRap.org

Agrotóxico no peixe-boi

Vamos traduzir para quem não entendeu. Assim como outros mamíferos aquáticos, o peixe-boi que vive nos rios da bacia amazônica não dispõe de uma enzima que ajuda a degradar substâncias químicas nocivas presentes em agrotóxicos.

Isso porque ele passou por adaptações genéticas para viver na água, e ficou sem essa proteína que protege mamíferos terrestres dos efeitos neurotóxicos de pesticidas organofosforados. ( ((o))eco )

E se você veio até aqui, leia mais alguns destaques do fio da coruja fofoqueira:

Ovos de titânio

Falar fácil não é difícil

Construção segura

O cânhamo, planta da qual é derivada a maconha e o haxixe, também pode ser usado na construção civil. Espécie não dá "barato". Foto: Cannabric/Divulgação via Universa UOL

Imigrantes na América

Vaga-lumes canibais

Comeram mais que seu coração.


Curie esteve no Brasil

Junto com Bertha Lutz. E tem foto das duas cientistas pioneiras reunidas.

Visita de Marie Curie (sentada) ao Museu Nacional no Rio em 29/071926. A bióloga e ativista feminista Bertha Lutz é a que está mais à direita. Foto: Acervo Arquivo Nacional

Outros Jogos Rápidos

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Se você trabalha em uma grande empresa e utiliza muita IA, há boas chances de seu chefe achar que você está mais burro

    Lideranças de grandes empresas estão preocupadas que o uso intensivo de IA está correndo as capacidades críticas e criativas de funcionários.

    Segundo a Bloomberg:

    Em uma recente pesquisa com executivos sêniores realizada pela empresa de consultoria BCG, mais de 60% disseram acreditar que a erosão de habilidades — como resolução analítica de problemas e pensamento criativo — surgirá como uma "ameaça séria" nos próximos anos. Metade disse que isso já está acontecendo.

    Pesquisas recentes têm mostrado uma crescente dualidade no mundo corporativo: empresas querem que seus funcionários utilizem mais IA no dia a dia, mas, ao mesmo tempo, temem que esse recurso vá reduzir a capacidade de pensar dos colaboradores.

    Via Bloomberg (link cortesia)

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Não sei você, mas eu vou ativar o login por selfie de vídeo do Google

    O Google anunciou no fim do mês passado o login por vídeo selfie, um novo método para recuperar o acesso à sua conta caso você esqueça a senha ou perca o celular.

    Esse recurso teria me poupado muita dor de cabeça se existisse lá em 2019, quando roubaram meu celular desbloqueado. Fiquei trancado por dias para fora do meu Gmail e o Sérgio passou horas tentando me ajudar com o celular dele (obrigado, sócio).

    🥸
    Acesse este link para abrir configuração do vídeo selfie.

    Segundo a empresa, o vídeo é criptografado, será usado apenas para autenticação, e você pode apagá-lo a qualquer momento.

    É bom lembrar que o vídeo não substitui senha nem chaves de acesso. Funciona como uma opção a mais de recuperação de conta.

    Via Blog do Google e Tecmundo.

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Agora foi a IA da Meta que hackeou outra empresa

    A lista empresas cujos modelos de inteligência artificial estão hackeando sistemas de cibersegurança alheios só cresce. Depois de OpenAI e Anthropic, chegou a vez da Meta.

    Segundo a CNN:

    Adicione a Meta à lista de empresas com agentes de IA que se rebelaram. Um modelo de IA da empresa controladora do Facebook e do Instagram [a Meta] invadiu os sistemas de outra empresa durante um teste de segurança cibernética, confirmou um porta-voz na quarta-feira.

    Embora seja coisa séria, nada tem impedido essas companhias de tentar colher resultados de marketing com esse tipo de ocorrência, no estilo "olha quão poderoso é meu modelo de IA".

    Dito isso, causa preocupação que esses LLMs estejam soltos no mundo, fazendo o que bem querem para resolver desafios apresentados por suas controladoras.

    O hype em declarar riscos de modelos de IA
    Como empresas de inteligência artificial ganham ao dizer que seus modelos são perigosos

    Via CNN

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Guerrilha de marketing digital

    Um conteúdo viral nem sempre é um viral de verdade – aliás, muito pelo contrário, a maior parte dos conteúdos que bombam são fruto de marketing pesado e estratégias de guerrilha digital.

    Reportagem de Dora Guerra, no g1, mostrou como marketeiros fazem para bombar músicas nas redes sociais e criar uma nova modinha. Táticas incluem desde competições entre influencers até conteúdos não marcados como publicidade.

    "Hoje, é extremamente comum que conteúdos pareçam espontâneos no feed ou nos Reels quando, na verdade, fazem parte de uma estratégia de divulgação. Isso inclui desde a criação de tendências até a ampliação do alcance de uma música por meio de criadores de conteúdo", conta Victor David, fundador da Rap Marketing.

    É sempre bom ver uma reportagem que mostra o óbvio que pouca gente enxerga.

    Via g1

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Escritor cria 'GitHub de textos' para não ser acusado de usar IA

    Eu gosto muito dos cantinhos únicos da internet que o Hacker News me mostra. Nesta quarta caí no blog do Dylan, um site com espírito de anos 90 e web 1.0, no qual um escritor de ficção científica (e, dá para perceber, apaixonado por jogos e RPG) conta como criou um aplicativo para provar que suas obras foram escritas por ele mesmo, sem o uso de IA.

    💡
    Hacker News é um site inspirado no Reddit, focado em tecnologia, computação e startups, criado pela famosa aceleradora americana Y Combinator. Nele usuários enviam links, artigos e perguntas que recebem votos e comentários.

    O serviço chama-se VellumProof e foi criado inspirado no GitHub, uma plataforma de hospedagem de código-fonte e arquivos que funciona como uma rede social para desenvolvedores.

    O que chamou a atenção de Dylan no GitHub foi a possibilidade de registrar, salvar e acompanhar absolutamente todas as alterações feitas em um programa ao longo do tempo. O Vellumproof faz a mesma coisa, mas para textos: reúne cada rascunho, registro de data e sessão de escrita em um histórico verificável.

    Do blog do Dylan, o autor que idealizou o VellumProof:

    O sonho, o sonho de verdade, é que quando você enviar um texto e alguém estreitar os olhos e disser "isso parece IA", você possa mostrar um timelapse de você escrevendo. Não uma impressão. Um registro. Provas.

    No texto, Dylan diz ainda que o projeto quase se chamou WritHub, um nome muito melhor.

    Via Hacker News, blog do Dylan e VellumProof.

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    O valor da SpaceX é difícil de engolir

    A SpaceX, empresa de foguetes, telecomunicações, inteligência artificial e (mais recentemente) redes sociais do bilionário Elon Musk registrou um prejuízo de mais de meio bilhão de dólares no segundo trimestre do ano, em seu primeiro balanço de resultados financeiros desde que abriu o capital em bolsa, em jun.2026.

    Até aí, tudo bem. Empresas de tecnologia possuem certa tolerância junto a investidores ao registrarem prejuízos, pois isso mostra que estão investindo. A Amazon demorou duas décadas para ter o primeiro lucro.

    O que me chamou a atenção foi a receita de U$7,8 bilhões no segundo trimestre, razoavelmente baixa se observada junto a seu valor de mercado, de US$1,4 trilhão.

    Apenas como comparação, a Meta possui valuation praticamente igual, mas somou receitas de US$60 bilhões no mesmo período.

    Como bem notou o The Verge, a SpaceX ganha mais dinheiro com alocação de processamento de dados para outras empresas de IA do que com seu negócio principal:

    A SpaceX é quase nada de 'Space' e quase tudo de 'X'.

    Via The Verge [2], SpaceX

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Vídeos em POV para treinar IA?

    Quem usa o LinkedIn sabe que a plataforma está apinhada não só de textos motivacionais gerados por IA, mas também de vagas de emprego meio obscuras que oferecem pagamento em dólar para treinamento de sistemas de inteligência artificial.

    Eu mesmo recebi em minha caixa de mensagens uma proposta da empresa Crossing Hurdles para gravar vídeos em POV (que eles chamam de egocêntricos) pela bagatela de US$6 a hora para "treinar sistema de inteligência artificial de próxima geração".

    No site do projeto, que é exclusivo para a América Latina, tem um exemplo do tipo de vídeo que eles esperam que os participante gravem. Eles não especificam que tipo de IA será treinada com os vídeos nem especificam como utilizarão os dados. Para participar do projeto, você deverá comprar por conta própria um belo suporte de celular para cabeça como estes:

    prontos para treinar robozinhos

    Há, claro, muita discussão no próprio LinkedIn e no Reddit se a plataforma é mesmo legítima ou se existe apenas para roubar dados de participantes.

    Você já recebeu uma proposta dessas ou já se inscreveu para alguma vaga semelhante? Conta pra gente.

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Não coloque seu celular na geladeira, por favor

    Pelo amor de deus, não coloque seu celular na geladeira ou no freezer se ele superaquecer.

    Pode parecer óbvio, mas é o que algumas pessoas têm feito lá na Europa, desinformadas por conteúdo de influenciadores em redes sociais. O continente passa por uma baita onda de calor, o que pode danificar e até travar temporariamente dispositivos eletrônicos. Mas colocar o celular na geladeira não ajuda em nada.

    Do 9to5mac:

    Obviamente, não faça isso. O resultado mais provável é a formação de condensação nos componentes internos do telefone, seja enquanto ele estiver na geladeira ou quando for retirado dela. Há também o risco de choque térmico, ao qual as baterias de lítio são particularmente sensíveis.

    Donos de lojas de reparo no Reino Unido disseram ter recebido uma avalanche de aparelhos com defeitos de usuários que seguiram as dicas tortas que andam aparecendo no TikTok e no Instagram.

    Via 9to5mac, Engadget, Techspot e BBC.

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Quase R$1 mi em treinamentos contra crimes cibernéticos

    A Secretaria Nacional de Segurança Pública, do governo federal, divulgou dados sobre R$14,4 milhões gastos em programas de capacitação de segurança.

    Uma linha de uma tabela no meio do documento detalha os gastos com treinamentos em investigações online:

    Programa Nacional de Capacitação em Investigação e Repressão aos Crimes Cibernéticos, contemplando cursos de investigação de crimes cibernéticos, inteligência em fontes abertas (OSINT), análise forense computacional, investigação em redes sociais, rastreamento de ativos digitais, combate à lavagem de dinheiro em ambiente virtual, enfrentamento a fraudes eletrônicas, golpes digitais e demais modalidades de delitos praticados por meios tecnológicos.

    R$ 904.650

    Via Câmara dos Deputados e Legislatech

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Novidade no Telegram: a culpa da moderação é dos outros

    Do The Verge:

    O CEO do Telegram, Pavel Durov, culpou um extorsionário por plantar material de abuso sexual infantil (CSAM) em um chat público para fazer com que o aplicativo fosse temporariamente removido da App Store da Apple na noite de segunda-feira.

    Não é novidade que Telegram há anos está impregnado de todo tipo de conteúdos abusivos, desde fraudes e desinformação até material de exploração sexual (inclusive de menores) e nazismo.

    A novidade é que o CEO da empresa, que foi preso na França em 2024 por inação contra atividades criminosas em sua plataforma, tenta se afastar dos resultados de sua reconhecidamente fraca moderação de conteúdo. Antes a justificativa era a boa e velha "liberdade de expressão serve pra tudo".

    Via The Verge

    Busca por Telegram no Twitter está cheia de pornografia
    Conteúdo pornográfico é mostrado com prioridade e sem nenhum alerta ou tarja
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