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Sofia Schurig Sofia Schurig
O caldo azedou pro lado do TikTok nos EUA e na UE
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Raio-X é uma editoria de análise opinativa sobre tecnologia e internet.

Nos Estados Unidos, o TikTok deve ser forçado, em breve, a vender suas operações no país para uma companhia norte-americana. Enquanto isso, na Europa, a empresa chinesa está sob investigação pela segunda vez por supostas violações das leis locais.

EUA. No último fim de semana, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou uma nova legislação que pode obrigar o TikTok a ser vendido a uma empresa americana. Embora um projeto parecido tenha sido aprovado recentemente pelo parlamento, este é diferente por estar associado a um pacote de financiamento estrangeiro para a Ucrânia e Israel.

O Senado dos EUA, por sua vez, aprovou na terça-feira (23.abr) o projeto de lei, deixando a assinatura final nas mãos do presidente norte-americano, Joe Biden, que prontamente já ratificou o texto.

ℹ️
Por que o TikTok tá nessa nos EUA?
Autoridades, legisladores e lobistas nos Estados Unidos expressam preocupação de que o governo chinês possa utilizar o TikTok como ferramenta de influência política.

Não existem evidências publicamente divulgadas de que a empresa chinesa tenha manipulado os feeds dos usuários americanos ou que haja espionagem ativa, mas as acusações persistem.

Para mitigar essas preocupações, a empresa estabeleceu um centro de dados no Texas, garantindo que os dados dos usuários americanos sejam processados dentro do país. Além disso, o CEO da plataforma já prestou depoimento ao Congresso americano várias vezes.

A versão do projeto de lei aprovada no sábado, se sancionada, concederia ao TikTok um prazo de 270 dias para encontrar um novo proprietário, um prazo maior em relação aos aproximadamente 180 dias previstos em versões anteriores.

Além disso, o projeto permite que a Casa Branca prorrogue esse período por mais 90 dias, caso o presidente avalie que existe avanço significativo em direção a uma venda da empresa.

O TikTok, em resposta, condenou o projeto de lei como um ataque inconstitucional. “É lamentável que a Câmara dos Representantes esteja usando a capa de importante assistência externa e humanitária para, mais uma vez, aprovar um projeto de lei de proibição que atropelaria os direitos de liberdade de expressão de 170 milhões de americanos”, declarou a plataforma em um post no X, antigo Twitter, na quarta-feira.

A casa começou a cair para o TikTok nos EUA
Câmara dos Deputados norte-americana votou por forçar a separação do TikTok de sua controladora chinesa

EUROPA. A Comissão Europeia anunciou, na segunda-feira (22.abr), uma nova investigação sobre o TikTok ter potencialmente violado a Lei de Serviços Digitais (DSA, na sigla original) da União Europeia, que regulamenta plataformas digitais e redes sociais na região.

  • O TikTok já está sendo investigado na UE por mau uso de dados de menores, falta de transparência em relação à publicidade, conteúdo prejudicial e design viciante do aplicativo;
  • Essa segunda investigação foca no TikTok Lite, uma versão do app que já existe no Brasil e foi recentemente lançada na França e na Espanha, que inclui um sistema de pontuação aos usuários que assistem e curtem vídeos.

Os pontos acumulados com essas atividades podem ser trocados por prêmios como cartões-presente da Amazon ou pela moeda digital do TikTok, que pode ser convertida em dinheiro.

Agora, os reguladores europeus estão preocupados de que o sistema de “tarefa e recompensa” possa afetar negativamente a saúde mental dos jovens, incentivando comportamentos viciantes.

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A ByteDance, dona do TikTok, é regulamentada pelo regime mais rigoroso do DSA. Isso implica que a empresa poderia sofrer penalidades de 1% de sua receita anual total ou faturamento mundial, além de penalidades periódicas — como multas — de até 5% da renda média diária ou do faturamento anual.

Além de investigar os impactos na juventude, a UE vai investigar as medidas tomadas pela plataforma para mitigar possíveis riscos.

Em nota à imprensa, os reguladores disseram que a ByteDance não fez uma avaliação de risco sobre o TikTok Lite.

TikTok promete proteger eleição europeia da desinformação
Plataforma vai reforçar proteção contra conteúdos enganosos gerados por IA e criar “centrais das eleições” para cada um dos 27 países do bloco

Via European Comission, The Register, the Verge e CNN (todos em inglês)

Edição Sérgio Spagnuolo

Outros Jogos Rápidos

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Se você trabalha em uma grande empresa e utiliza muita IA, há boas chances de seu chefe achar que você está mais burro

    Lideranças de grandes empresas estão preocupadas que o uso intensivo de IA está correndo as capacidades críticas e criativas de funcionários.

    Segundo a Bloomberg:

    Em uma recente pesquisa com executivos sêniores realizada pela empresa de consultoria BCG, mais de 60% disseram acreditar que a erosão de habilidades — como resolução analítica de problemas e pensamento criativo — surgirá como uma "ameaça séria" nos próximos anos. Metade disse que isso já está acontecendo.

    Pesquisas recentes têm mostrado uma crescente dualidade no mundo corporativo: empresas querem que seus funcionários utilizem mais IA no dia a dia, mas, ao mesmo tempo, temem que esse recurso vá reduzir a capacidade de pensar dos colaboradores.

    Via Bloomberg (link cortesia)

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Não sei você, mas eu vou ativar o login por selfie de vídeo do Google

    O Google anunciou no fim do mês passado o login por vídeo selfie, um novo método para recuperar o acesso à sua conta caso você esqueça a senha ou perca o celular.

    Esse recurso teria me poupado muita dor de cabeça se existisse lá em 2019, quando roubaram meu celular desbloqueado. Fiquei trancado por dias para fora do meu Gmail e o Sérgio passou horas tentando me ajudar com o celular dele (obrigado, sócio).

    🥸
    Acesse este link para abrir configuração do vídeo selfie.

    Segundo a empresa, o vídeo é criptografado, será usado apenas para autenticação, e você pode apagá-lo a qualquer momento.

    É bom lembrar que o vídeo não substitui senha nem chaves de acesso. Funciona como uma opção a mais de recuperação de conta.

    Via Blog do Google e Tecmundo.

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Agora foi a IA da Meta que hackeou outra empresa

    A lista empresas cujos modelos de inteligência artificial estão hackeando sistemas de cibersegurança alheios só cresce. Depois de OpenAI e Anthropic, chegou a vez da Meta.

    Segundo a CNN:

    Adicione a Meta à lista de empresas com agentes de IA que se rebelaram. Um modelo de IA da empresa controladora do Facebook e do Instagram [a Meta] invadiu os sistemas de outra empresa durante um teste de segurança cibernética, confirmou um porta-voz na quarta-feira.

    Embora seja coisa séria, nada tem impedido essas companhias de tentar colher resultados de marketing com esse tipo de ocorrência, no estilo "olha quão poderoso é meu modelo de IA".

    Dito isso, causa preocupação que esses LLMs estejam soltos no mundo, fazendo o que bem querem para resolver desafios apresentados por suas controladoras.

    O hype em declarar riscos de modelos de IA
    Como empresas de inteligência artificial ganham ao dizer que seus modelos são perigosos

    Via CNN

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Guerrilha de marketing digital

    Um conteúdo viral nem sempre é um viral de verdade – aliás, muito pelo contrário, a maior parte dos conteúdos que bombam são fruto de marketing pesado e estratégias de guerrilha digital.

    Reportagem de Dora Guerra, no g1, mostrou como marketeiros fazem para bombar músicas nas redes sociais e criar uma nova modinha. Táticas incluem desde competições entre influencers até conteúdos não marcados como publicidade.

    "Hoje, é extremamente comum que conteúdos pareçam espontâneos no feed ou nos Reels quando, na verdade, fazem parte de uma estratégia de divulgação. Isso inclui desde a criação de tendências até a ampliação do alcance de uma música por meio de criadores de conteúdo", conta Victor David, fundador da Rap Marketing.

    É sempre bom ver uma reportagem que mostra o óbvio que pouca gente enxerga.

    Via g1

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Escritor cria 'GitHub de textos' para não ser acusado de usar IA

    Eu gosto muito dos cantinhos únicos da internet que o Hacker News me mostra. Nesta quarta caí no blog do Dylan, um site com espírito de anos 90 e web 1.0, no qual um escritor de ficção científica (e, dá para perceber, apaixonado por jogos e RPG) conta como criou um aplicativo para provar que suas obras foram escritas por ele mesmo, sem o uso de IA.

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    Hacker News é um site inspirado no Reddit, focado em tecnologia, computação e startups, criado pela famosa aceleradora americana Y Combinator. Nele usuários enviam links, artigos e perguntas que recebem votos e comentários.

    O serviço chama-se VellumProof e foi criado inspirado no GitHub, uma plataforma de hospedagem de código-fonte e arquivos que funciona como uma rede social para desenvolvedores.

    O que chamou a atenção de Dylan no GitHub foi a possibilidade de registrar, salvar e acompanhar absolutamente todas as alterações feitas em um programa ao longo do tempo. O Vellumproof faz a mesma coisa, mas para textos: reúne cada rascunho, registro de data e sessão de escrita em um histórico verificável.

    Do blog do Dylan, o autor que idealizou o VellumProof:

    O sonho, o sonho de verdade, é que quando você enviar um texto e alguém estreitar os olhos e disser "isso parece IA", você possa mostrar um timelapse de você escrevendo. Não uma impressão. Um registro. Provas.

    No texto, Dylan diz ainda que o projeto quase se chamou WritHub, um nome muito melhor.

    Via Hacker News, blog do Dylan e VellumProof.

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    O valor da SpaceX é difícil de engolir

    A SpaceX, empresa de foguetes, telecomunicações, inteligência artificial e (mais recentemente) redes sociais do bilionário Elon Musk registrou um prejuízo de mais de meio bilhão de dólares no segundo trimestre do ano, em seu primeiro balanço de resultados financeiros desde que abriu o capital em bolsa, em jun.2026.

    Até aí, tudo bem. Empresas de tecnologia possuem certa tolerância junto a investidores ao registrarem prejuízos, pois isso mostra que estão investindo. A Amazon demorou duas décadas para ter o primeiro lucro.

    O que me chamou a atenção foi a receita de U$7,8 bilhões no segundo trimestre, razoavelmente baixa se observada junto a seu valor de mercado, de US$1,4 trilhão.

    Apenas como comparação, a Meta possui valuation praticamente igual, mas somou receitas de US$60 bilhões no mesmo período.

    Como bem notou o The Verge, a SpaceX ganha mais dinheiro com alocação de processamento de dados para outras empresas de IA do que com seu negócio principal:

    A SpaceX é quase nada de 'Space' e quase tudo de 'X'.

    Via The Verge [2], SpaceX

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Vídeos em POV para treinar IA?

    Quem usa o LinkedIn sabe que a plataforma está apinhada não só de textos motivacionais gerados por IA, mas também de vagas de emprego meio obscuras que oferecem pagamento em dólar para treinamento de sistemas de inteligência artificial.

    Eu mesmo recebi em minha caixa de mensagens uma proposta da empresa Crossing Hurdles para gravar vídeos em POV (que eles chamam de egocêntricos) pela bagatela de US$6 a hora para "treinar sistema de inteligência artificial de próxima geração".

    No site do projeto, que é exclusivo para a América Latina, tem um exemplo do tipo de vídeo que eles esperam que os participante gravem. Eles não especificam que tipo de IA será treinada com os vídeos nem especificam como utilizarão os dados. Para participar do projeto, você deverá comprar por conta própria um belo suporte de celular para cabeça como estes:

    prontos para treinar robozinhos

    Há, claro, muita discussão no próprio LinkedIn e no Reddit se a plataforma é mesmo legítima ou se existe apenas para roubar dados de participantes.

    Você já recebeu uma proposta dessas ou já se inscreveu para alguma vaga semelhante? Conta pra gente.

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Não coloque seu celular na geladeira, por favor

    Pelo amor de deus, não coloque seu celular na geladeira ou no freezer se ele superaquecer.

    Pode parecer óbvio, mas é o que algumas pessoas têm feito lá na Europa, desinformadas por conteúdo de influenciadores em redes sociais. O continente passa por uma baita onda de calor, o que pode danificar e até travar temporariamente dispositivos eletrônicos. Mas colocar o celular na geladeira não ajuda em nada.

    Do 9to5mac:

    Obviamente, não faça isso. O resultado mais provável é a formação de condensação nos componentes internos do telefone, seja enquanto ele estiver na geladeira ou quando for retirado dela. Há também o risco de choque térmico, ao qual as baterias de lítio são particularmente sensíveis.

    Donos de lojas de reparo no Reino Unido disseram ter recebido uma avalanche de aparelhos com defeitos de usuários que seguiram as dicas tortas que andam aparecendo no TikTok e no Instagram.

    Via 9to5mac, Engadget, Techspot e BBC.

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Quase R$1 mi em treinamentos contra crimes cibernéticos

    A Secretaria Nacional de Segurança Pública, do governo federal, divulgou dados sobre R$14,4 milhões gastos em programas de capacitação de segurança.

    Uma linha de uma tabela no meio do documento detalha os gastos com treinamentos em investigações online:

    Programa Nacional de Capacitação em Investigação e Repressão aos Crimes Cibernéticos, contemplando cursos de investigação de crimes cibernéticos, inteligência em fontes abertas (OSINT), análise forense computacional, investigação em redes sociais, rastreamento de ativos digitais, combate à lavagem de dinheiro em ambiente virtual, enfrentamento a fraudes eletrônicas, golpes digitais e demais modalidades de delitos praticados por meios tecnológicos.

    R$ 904.650

    Via Câmara dos Deputados e Legislatech

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Novidade no Telegram: a culpa da moderação é dos outros

    Do The Verge:

    O CEO do Telegram, Pavel Durov, culpou um extorsionário por plantar material de abuso sexual infantil (CSAM) em um chat público para fazer com que o aplicativo fosse temporariamente removido da App Store da Apple na noite de segunda-feira.

    Não é novidade que Telegram há anos está impregnado de todo tipo de conteúdos abusivos, desde fraudes e desinformação até material de exploração sexual (inclusive de menores) e nazismo.

    A novidade é que o CEO da empresa, que foi preso na França em 2024 por inação contra atividades criminosas em sua plataforma, tenta se afastar dos resultados de sua reconhecidamente fraca moderação de conteúdo. Antes a justificativa era a boa e velha "liberdade de expressão serve pra tudo".

    Via The Verge

    Busca por Telegram no Twitter está cheia de pornografia
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