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O ministro Alexandre de Moraes, presidente em exercício do Tribunal Superior Eleitoral, determinou em decisão no domingo (17.jul.2022) que políticos de extrema-direita, veículos de comunicação de direita e canais de YouTube excluíssem conteúdos falsos sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acatando um pedido do Partido dos Trabalhadores.

Na decisão, Moraes determinou:

  • que os representados removam o conteúdo e que a não-remoção acarretará em multa diária de R$10 mil.
  • a identificação dos responsáveis pelos canais de Youtube DR News e Políticabrasil24 e pelos perfis de Gettr Titio 2021 e Zaquebrasil.
  • que os representados se abstenham de fazer novas postagens ou compartilhar conteúdos objetos da ação, sob pena de multa de R$15 mil em caso de descumprimento.

As partes representadas:

  • deputado Federal Otoni de Paula (MDB-RJ)
  • Jornal da Cidade Online
  • José Pinheiro Tolentino Filho - jornalista e editor-chefe do Jornal da Cidade Online
  • Carlos Eduardo Martins - empresário
  • Max Guilherme Machado de Moura - assessor especial do Presidente da República
  • senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
  • deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)
  • Jornal Minas Acontece
  • Pedro Alencar Azevedo - sócio-proprietário do Jornal Minas Acontece
  • Cláudio Gomes de Carvalho
  • deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ)
  • Gilney Gonçalves da Silva - empresário
  • responsáveis pelo canal de Youtube DR News
  • responsáveis pelo canal de Youtube Política24brasil
  • responsáveis pelo perfil de Gettr Titio 2021
  • responsáveis pelo perfil de Gettr Zaquebrasil

O ministro Alexandre de Moraes afirma que "há nítida percepção de que as mentiras divulgadas objetivam, de maneira fraudulenta, persuadir o eleitorado a acreditar que um dos pré-candidatos e seu partido, além de terem participaram da morte do ex-prefeito Celso Daniel, possuem ligação com o crime organizado, com o fascismo e com o nazismo, tendo, ainda igualado a população mais desafortunada ao papel higiênico."

Moraes diz ainda que "o sensacionalismo e a insensata disseminação de conteúdo inverídico com tamanha magnitude pode vir a comprometer a lisura do processo eleitoral".

Contexto: Na petição inicial, o Partido dos Trabalhadores alega a "veiculação de propaganda eleitoral antecipada negativa por meio de notícias falsas, descontextualizadas ou sem demonstração de provas" por meio das redes sociais e veículos de comunicação "que divulgam matérias tendenciosas e parciais". O objetivo, segundo a petição, é de desincentivar o voto no ex-presidente Lula numa possível candidatura.

A ação do PT baseia-se em três notícias falsas ou descontextualizadas:

1. Uma falsa narrativa que correlaciona o PT, Lula, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o sequestro e assassinato de Celso Daniel em 2002.

2. Uma fala do ex-presidente que foi tirada de contexto para sugerir que ele tenha comparado "pobres a papel higiênico".

3.  Falas do ex-presidente retiradas de contexto para sugerir uma associação entre o PT, o fascismo e o nazismo.

Os pedidos: Na ação, o partido solicita que a liminar seja deferida e que se determine que os autores ou pessoas e páginas que compartilharam as postagens excluam o conteúdo e se abstenham de publicar e veicular notícias com o mesmo teor.

Na semana passada, Moraes já havia determinado a exclusão de um vídeo com conteúdo falso sobre o pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, que circulava no Telegram.

Texto Laís Martins
Edição Alexandre Orrico
Eleições 2022
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