Campanha de Bolsonaro convoca influenciadores e distribui 'missões'

Ação organizada por bolsonaristas pede que os eleitores compartilhem material no Whatsapp, assim como os petistas estão fazendo #NúcleoNasEleições

A campanha do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) recorreu a influenciadores como estratégia nas duas semanas que restam até o segundo turno. O coach Pablo Marçal (PROS) compartilhou dicas e táticas - incluindo um manual com "missões" - para promover a imagem do presidente nas redes sociais, na noite de quinta-feira (13.out.).

A convocação da militância digital é uma possível resposta à articulação que vem sendo feita por eleitores do candidato à Presidente do PT, o ex-presidente Lula, nas redes sociais, que tem o deputado federal reeleito André Janones (Avante) como destaque.

  • Na semana passada, a esquerda iniciou um movimento de ocupação do status do WhatsApp - semelhante ao stories do Instagram - com vídeos e imagens que tragam informações sobre Lula e Bolsonaro.
  • Desde o início da campanha do primeiro turno, as redes sociais Lulaverso, da campanha petista, postam diariamente as chamadas missões para que os integrantes dos grupos compartilhem material da equipe.
  • As duas ações da campanha e dos eleitores petistas, agora, estão sendo copiadas por bolsonaristas.

Além do coach, a deputada federal reeleita Carla Zambelli (PL) també participou da live que teve mais de 3 horas de duração.

Marçal chegou a anunciar sua pré-candidatura para disputar a Presidência, mas desistiu em apoio a Bolsonaro. Ele concorreu ao posto de deputado federal por SãoPaulo e recebeu 243.037 votos. No entanto, ainda não pode ser considerado eleito porque aguarda o julgamento sobre sua candidatura à Câmara pela Justiça Eleitoral.

MANUAL. Durante a live foi compartilhado um manual para influenciadores - 4 páginas com missões a serem cumpridas pelos influenciadores. "Siga à risca as missões que com sua ajuda nós iremos nos despedir dessa corja de bandidos", diz o documento. São elas:

  • Trocar a foto de perfil em todas as redes sociais por uma foto com um filtro da bandeira do Brasil;
  • Gravar e publicar um vídeo nas redes sociais "mostrando sua indignação das injustiças que estão levantando contra o presidente Bolsonaro";
  • Criar grupos de WhatsApp, adicionando pessoas influentes para "multiplicar o movimento pelo Brasil" e eleger Bolsonaro;
  • Montar um "QG do capitão" em casa. O objetivo seria a distribuição de materiais da campanha (que foram disponibilizados em um link no manual);
  • Colocar o material da campanha, obtido em um canal de Telegram, no Status do WhatsApp;
  • "Arrastão digital" para 'verificar os 20 principais meios de comunicação do Brasil que ficam denegrindo diariamente a imagem do capitão Bolsonaro com mentiras'.

O manual não deixa claro o que seria essa "verificação dos meios de comunicação".

A missão desta sexta-feira (14.out), segundo o canal de Telegram, era divulgar o agronegócio aproveitando a ocasião do Dia Nacional da Pecuária.

Print da missão do dia

RECRUTAMENTO

A live, que supostamente seria restrita mas acabou circulando abertamente, foi divulgada pela campanha no início da semana, com um vídeo do presidente Bolsonaro e um formulário.

O link da live e o formulário foram distribuídos em um canal de Telegram criado no dia 10.out, que já registrava 111 mil membros nesta sexta-feira (14.out). O link do canal também foi repassado em dezenas de outros grupos bolsonaristas no aplicativo.

O formulário distribuído pedia informações como nome, perfil de Instagram, a quantidade de seguidores e o Estado de cada seguidor. Segundo reportagem do G1, o Estado de cada influenciador é um ponto-chave para a campanha, já que isso permitirá um mapeamento para disparar conteúdos e mensagens pró-Bolsonaro e anti-Lula.

O uso de influenciadores não é novidade para o bolsonarismo. Durante a pandemia, o governo Bolsonaro, por meio da Secretaria de Comunicação Social do governo (Secom), pagou influenciadores para promoverem o chamado 'tratamento precoce', um coquetel de medicamentos que tiveram sua ineficácia comprovada, como revelado em reportagem da Agência Pública.  

Texto Laís Martins e Sofia Schurig
Edição Julianna Granjeia

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