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Criado quando Jack Dorsey era CEO do Twitter, o Bluesky é uma espécie de rede social reimaginada como um protocolo aberto, chamado AT Protocol.

Um aplicativo para iOS foi liberado esta semana, dando ao público o primeiro gostinho do que os desenvolvedores — que em algum momento do passado se emanciparam do Twitter — estão preparando.

Por ora, o acesso ao Bluesky se dá por convites limitados. Núcleo teve acesso a um e te conta como é esse céu azul alternativo ao Twitter.

O APP. O aplicativo do Bluesky é uma espécie de Twitter reduzido ao mínimo necessário para termos a experiência básica de rede social.

Em algumas áreas, como a tela inicial, fica evidente que é um negócio mambembe, ainda carente de um polimento que se espera de aplicativos finalizados, prontos para o grande público.

Print do feed principal do Bluesky para iOS.
Imagem: Bluesky/Núcleo.

Após o cadastro, que, repito, só funciona para quem tem um convite, o que se revela é uma experiência bem mundana de rede social nos moldes do Twitter:

  • São apenas três abas: feed principal, pesquisa e notificações.
  • A pesquisa é só para contatos, não funciona para posts/conteúdo, mas exibe alguns posts ao ser acessada sob o rótulo “Recentemente, no Bluesky…”
  • Há um botão flutuante para publicar novas mensagens — que podem ter até 256 caracteres.
  • É possível enviar imagens.
  • As configurações são nulas, só permitem logar e gerenciar múltiplos perfis.

Em relação ao conteúdo, as primeiras horas de Bluesky me apresentaram muitos posts e “RTs” da Jay Graber, CEO do Bluesky, posts de brasileiros e fotos do céu azul (“blue sky”, sacou?).

TECNIQUÊS. Um detalhe do Bluesky distinto do Twitter e importante é o nome de usuário. O meu, por exemplo, ficou ghedin.bsky.social. A parte após o primeiro ponto é um domínio.

Sim, você já viu isso: é uma estrutura similar à do Mastodon, que é baseado em outro protocolo aberto/descentralizado, o ActivityPub.

Jay Graber, CEO do Bluesky, explica o funcionamento de domínios no protocolo/rede social.
Imagem: Bluesky/Núcleo.

A exemplo do Mastodon, o Bluesky poderá ser instalado em servidores distintos e o usuário terá poder sobre seus dados, podendo migrá-los sem prejuízo entre servidores/instâncias.

Por ora, o “onboarding”, ou seja, o cadastro é bem mais fácil que no Mastodon, porque só existe um servidor/instância. A conferir como isso ficará quando mais servidores estiverem disponíveis.

Jay Graber elencou, no anúncio do programa “beta privado”, os recursos que a equipe pretende destacar nos próximos meses:

  • Nomes de domínios como nomes de usuários e portabilidade da conta.
  • Escolhas algorítmicas e feeds personalizados.
  • Moderação composta (?) e sistemas de reputação.

CONTEXTO. O objetivo do aplicativo do Blusky é mais ser uma prova de conceito do que qualquer outra coisa.

Ao anunciar o beta privado do Bluesky, Graber disse que:

Esperamos que o aplicativo sirva como um cliente de referência para desenvolvedores aprenderem a criar em cima do atproto [AT Protocol], bem como um destino para usuários que queiram ver como um aplicativo social descentralizado pode ser agradável, personalizável, otimizar e seguro de usar.

Tudo isso seria revolucionário se já não tivéssemos o Mastodon. As promessas de ambos os protocolos, ActivityPub e AT Protocol, são muito similares, e o ActivityPub tem a vantagem de ser um padrão de fato e não ter uma empresa no controle, como “dona”.

O aplicativo do Bluesky é rudimentar, mas funcional. Ainda que seu funcionamento seja distinto, lembra bastante o Domus, aquele baseado no Nostr, outro protocolo aberto, comentado aqui recentemente.

É cedo para dizer a que veio o Bluesky. A primeira impressão é… ok. Parabéns, bem legal seu aplicativo, mas por que alguém o escolheria em vez do Mastodon/ActivityPub, ou mesmo em vez do Twitter, é a grande pergunta ainda sem resposta.

Clique aqui para baixar o Bluesky para iOS. Para entrar na lista de espera por um convite, basta deixar seu e-mail no site oficial.

Post feito em parceria com o Manual do Usuário

Twitter/XManual do Usuário
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