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O Twitter (agora X Corp.) entrou com um processo contra o Centro de Combate ao Ódio Digital (CCDH) nesta segunda-feira (31.julho). A ação vem após relatos de que a plataforma enviou uma carta acusando o CCDH de receber financiamento de concorrentes da rede social ou governos estrangeiros com “motivações ocultas”.

A carta foi enviada logo após o CCDH divulgar uma pesquisa que apontava a falta de moderação em 99% dos comentários com discurso de ódio de usuários do Twitter Blue. A organização sem fins lucrativos é conhecida por estudar discurso de ódio e desinformação nas redes sociais.

Em resposta à notícia da ação judicial, nesta terça-feira (1.agosto) Imran Ahmed, fundador e CEO do CCDH, disse que “o CCDH não tem a intenção de interromper nossa pesquisa independente — Musk não nos intimidará para ficarmos em silêncio.”

A ação busca reparação financeira não especificada e uma liminar para proibir o CCDH de usar ou divulgar os dados fornecidos pelo Twitter à Brandwatch, uma empresa de análise de dados sobre redes sociais.

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A rede social chegou a acusar a entidade de ser financiada por governos estrangeiros com “motivações ocultas” ou concorrentes do Twitter.

EXPLICADO. Na ação judicial, a X Corp. alega que o CCDH raspou dados da plataforma sem autorização, o que violaria os termos de serviço do Twitter desde que o acesso à API se tornou um serviço pago em abril. Advogados de Elon Musk também ameaçaram processar a Microsoft em maio por motivos semelhantes.

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O QUE SÃO APIs?
Em poucas palavras, APIs são recursos fornecidos por plataformas digitais (ou por qualquer empresa que tenha produtos digitais) para automatizar o uso da ferramenta por terceiros, inclusive com o fornecimento de dados estruturados para monitoramentos.

Segundo a ação, a Brandwatch informou ao Twitter que o CCDH obteve acesso não autorizado aos dados da plataforma e que sua pesquisa fez afirmações não comprovadas sobre o Twitter. Você pode ler a ação, em inglês, clicando aqui.

A X Corp. diz rejeitar todas as alegações do CCDH e disse “ter identificado várias maneiras pelas quais o grupo estaria trabalhando para impedir a liberdade de expressão, incluindo perseguir pessoas com opiniões discordantes e tentar coagir o desligamento de usuários” da plataforma.

O QUE DIZ O CCDH. Em uma nota à imprensa sobre o processo judicial, o fundador e CEO do CCDH, Imran Ahmed, afirmou:

“A pesquisa do Centro de Combate ao Ódio Digital mostra que o ódio e a desinformação estão se espalhando rapidamente na plataforma sob a propriedade de Musk, e este processo é uma tentativa direta de silenciar esses esforços. As pessoas não querem ver ou se associar ao ódio, ao preconceito e ao conteúdo perigoso que todos nós vemos aumentando no X.”, disse ele.

Em julho, após ser revelado que um relatório de 2021 do CCDH levou o Twitter a tomar medidas contra perfis que disseminavam desinformação sobre vacinas, Elon Musk chamou o CEO do CCDH, Imran Ahmed, de “rato”.

Via Variety (em inglês)

Texto Sofia Schurig
Edição Jade Drummond

Twitter/X
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