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"Zema anuncia frente Sul-Sudeste contra o Nordeste e quer direita unida contra a esquerda", dizia a manchete de uma entrevista do governador de Minas Gerais ao Estadão, publicada neste sábado (5.ago).

Zema cita o Nordeste — e o Norte — logo na resposta à primeira pergunta da entrevista, ao falar sobre a criação do "Consórcio Sul-Sudeste" (Cossud) :

"Temos o Grupo do Cossud. Na verdade, ele já existia, mas nós formalizamos o Consórcio Sul, Sudeste, que reúne os 7 Estados das duas regiões. A cada 90 dias, nós nos encontramos para trabalharmos de forma conjunta. A última reunião foi em Belo Horizonte. Tem muita coisa que um Estado faz melhor que o outro. Também já decidimos que além do protagonismo econômico que temos, porque representamos 70% da economia brasileira, nós queremos – que é o que nunca tivemos – protagonismo político. Outras regiões do Brasil, com Estados muito menores em termos de economia e população se unem e conseguem votar e aprovar uma série de projetos em Brasília. E nós, que representamos 56% dos brasileiros, mas que sempre ficamos cada um por si, olhando só o seu quintal, perdemos. Ficou claro nessa reforma tributária que já começamos a mostrar nosso peso. Eles queriam colocar um conselho federativo com um voto por Estado. Nós falamos, não senhor. Nós queremos proporcional à população. Por que sete Estados em 27, iríamos aprovar o quê? Nada. O Norte e Nordeste é que mandariam. Aí, nós falamos que não. Pode ter o Conselho, mas proporcional. Se temos 56% da população, nós queremos ter peso equivalente."

Por causa da declaração, o jornalista Reinaldo Azevedo chamou o governador de "tão reaça como o Mercador de Rolex [Bolsonaro], eventualmente mais burro".

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, twittou que Zema é "preconceituoso e atrasado".

O governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), divulgou a nota oficial do Consórcio Nordeste, dizendo que Zema "demonstra uma leitura preocupante do Brasil".

Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), apoiou a proposta.

Zema twittou neste domingo que houve "distorção dos fatos" e que "a união do Sul e Sudeste jamais será pra diminuir outras regiões"

O Estadão acabou mudando o título da entrevista para "Zema anuncia frente para ‘protagonismo’ do Sul-Sudeste e quer direita unida contra a esquerda".

Alguns apoiadores de extrema-direita, porém, entenderam que Zema estava defendendo algum tipo de separatismo.

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