Insurreição como a dos EUA pode se repetir nas eleições brasileiras, diz pesquisa

Análise de organizações da sociedade civil enxerga situação crítica para Brasil devido à inação do Facebook/Meta

O Brasil corre risco elevado de ver um evento nos moldes da invasão ao Capitólio dos Estados Unidos, em janeiro do ano passado, mostrou pesquisa publicada nesta quarta-feira pela Avaaz e pelo Real Facebook Oversight Board, duas organizações da sociedade civil sem fins lucrativos.

As organizações, que veem um "alerta piscando vermelho" para o Brasil, disseram que o Facebook/Meta não só foi usado para fomentar a invasão na época como falhou em "aprender ou corrigir erros da insurreição nos EUA que poderiam colocar os resultados das eleições de 2 de outubro no Brasil sob perigo".


É importante porque...
  • Em 2018, organização de grupos e uso das redes sociais tiveram papel crucial no processo eleitoral. Sem preparação adequada das plataformas para 2022, podemos ver uma repetição deste cenário
  • Isso tem como pano de fundo alertas de especialistas para sinais acumulados de deterioração democrática desde as eleições de 2018

A pesquisa integra o Relatório Trimestral de Danos do Facebook para o 4º trimestre de 2021, do Real Facebook Oversight Board (RFOB), que não tem relação com o Comitê de Supervisão do Facebook, um órgão independente que recebeu financiamento da empresa, e se define como uma "resposta emergencial por acadêmicos, especialistas e defensores globais aos danos contínuos nas plataformas do Facebook".

As organizações desenvolveram o Insurrection Enablement Index (Índice de Possibilitação de Insurreição, na tradução livre), uma ferramenta para categorizar e identificar sinais precoces de que o Facebook poderia ser usado para incitar uma insurreição violenta às vésperas de qualquer evento democrático.

A ferramenta se baseia em cinco pontos para medir as ações do Facebook:

  1. Se há moderação humana que seja "culturalmente competente e adequada ao contexto";
  2. Se a aplicação das regras da plataforma é feita igualmente para todos os usuários;
  3. Se são priorizadas fontes de notícia de credibilidade na entrega de conteúdo noticioso;
  4. Se há checagem de fatos rápida e robusta para alegações feitas por candidatos;
  5. Se há medidas de mitigação para limitar a disseminação de conteúdo que possivelmente represente dano significativo offline.
Nos três últimos pontos da escala, o Brasil recebeu um sinal vermelho, o que representaria alto risco.

Em ocasiões anteriores, uma pesquisa da Avaaz já havia mostrado que o Facebook poderia ter evitado cerca de 10 bilhões de visualizações em Páginas e Grupos que repetidamente disseminam desinformação sobre notícias e política no Brasil.

Reportagem do Núcleo em parceria com o Aos Fatos publicada nesta quarta-feira (2.fev) mostrou que a Meta tinha conhecimento de uma rede extremista brasileira com potencial para "dano coordenado", mas tolerou sua existência na plataforma.

Facebook tolera grupo extremista mesmo após alerta interno
Conhecido por disseminar desinformação, rede Ordem Dourada do Brasil tem cunho armamentista e intervencionista
Texto Laís Martins
Edição Samira Menezes

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