O que as redes sociais já fizeram para conter a desinformação russa

Meta, TikTok, Twitter e YouTube se posicionam na guerra de desinformação promovida pela Rússia.

As sanções do Ocidente contra a Rússia em resposta à invasão injustificada da Ucrânia alcançaram também as grandes empresas de tecnologia norte-americanas.

Na terça-feira (1.mar), a Apple anunciou uma série de medidas, da suspensão de vendas de produtos no país à remoção de aplicativos de empresas de mídia estatais russas (RT e Sputinik) fora do país.

Antes disso, redes sociais já tinham se movimentado:

  • No domingo (27.fev), a Meta derrubou uma “rede de comportamento coordenado inautêntico”, com ramificações na Rússia e na própria Ucrânia, que estava espalhando desinformação entre ucranianos.
  • Em outra frente, a Meta restringiu o acesso a empresas de mídia estatais russas na União Europeia e limitou o alcance de links para seus sites no Facebook e no Instagram.
  • Na terça (1.mar), a empresa ampliou as restrições ao resto do mundo e, embora páginas e links das empresas de mídia estejam acessíveis, seus conteúdos e links tiveram o alcance reduzido, ficaram mais difíceis de serem achados e, quando encontrados, recebem etiquetas de alerta.
  • O Twitter anunciou um pacote de medidas na sexta (25.fev). Entre as mais incisivas, está a suspensão de anúncios na Rússia e Ucrânia e de posts recomendados na timeline de pessoas que o usuário não segue “para reduzir o alcance de conteúdo abusivo”.
  • O YouTube desmonetizou os canais do RT e Sputinik e bloqueou ambos na Europa. Eles também não podem veicular anúncios nas plataformas da empresa. A empresa também “reduziu significativamente” as recomendações de empresas de mídia financiadas pela Rússia no mundo inteiro e já derrubou “centenas de canais e milhares de vídeos” por violações às diretrizes da comunidade, incluindo práticas coordenadas inautênticas.
  • Ao Washington Post, o TikTok confirmou na segunda (28.fev) ter bloqueado os perfis do RT e Sputinik na Europa.

A Rússia tem pressionado essas mesmas empresas e limitado o uso delas.

O Kremlin pediu à Meta para que parasse de checar conteúdo oficial no Facebook, mas não foi atendido. Em retaliação, o governo russo limitou o acesso às redes da empresa no país. O Facebook tem 70 milhões de usuários na Rússia. O Twitter também entrou na mira de Vladimir Putin.

Pelo Twitter, o presidente de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, disse que a empresa está trabalhando para manter seus serviços funcionando na Rússia:

“Cidadãos russos estão usando nossos aplicativos para se expressarem e se articularem. Queremos que continuem se fazendo ouvir, compartilhando o que está acontecendo e se organizando pelo Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger.”

Especialistas e líderes mundiais concordam que o acesso a redes sociais fora do controle do governo de Putin são importantes nesse momento para a articulação anti-guerra no país.

Ao Recode, Margrethe Vestager, vice-presidente da Comissão Europeia, disse que “é sempre um equilíbrio garantir que os russos que querem a história real — ou, no mínimo, a história como a vemos — tenham acesso [às redes sociais], mas não deve haver espaço para propaganda”.

Via MacRumors, Meta (2), @TwitterSafety/Twitter, Google, Washington Post, @nickclegg/Twitter, Recode (todos em inglês).

Edição Sérgio Spagnuolo

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