Moderadores de conteúdo terceirizados pelo TikTok denunciam más condições de trabalho (de novo)

Além de conteúdo violento recorrente, moderadores do TikTok alegam metas impossíveis de alcançar e baixos salários

Em um momento em que o TikTok tem passado por considerável crescimento na África, moderadores de conteúdo da plataforma em países da região, como Marrocos, denunciaram duras condições de trabalho, remuneração baixa e traumas psicológicos por conta do conteúdo fiscalizado.

Os depoimentos foram publicados em uma reportagem do site Business Insider.

O QUE ACONTECEU. Nove moderadores da Majorel, empresa terceirizada de moderação contratada pelo TikTok em Marrocos, descreveram metas impossíveis de alcançar, vídeos de suicídio e crueldade animal e trabalhos que os faziam sentir-se mais como robôs do que seres humanos.

BAIXA REMUNERAÇÃO. Todos também disseram receber menos de U$3 por hora. Uma jornada de trabalho de 8h diárias por 22 dias úteis renderia algo como US$720/mês (cerca de R$3.700). Como comparação, segundo o Banco Mundial, o salário mínimo no Marrocos em 2017 equivalia a US$260 por mês.

Logo, considerando essa carga horária, eles ganhariam cerca de 3x o salário mínimo local para passar o tempo todo assistindo a conteúdos extremamente violentos e traumáticos.

VIOLÊNCIA. Uma moderadora disse à reportagem que estava algumas horas em seu primeiro dia de trabalho, quando assistiu a um vídeo de um homem jogando um gato no ar e empalando-o sobre uma espada.

Outro disse estar traumatizado por um vídeo de um idoso sendo atacado com um machado, e outro de um suicídio com arma de fogo.

Os funcionários também disseram que ambas as empresas não tomaram medidas para resolver os problemas relatados, e optaram por adotar mais vigilância no ambiente de trabalho.

OUTROS CASOS. Funcionários da empresa de moderação terceirizada Teleperformance denunciaram ser forçados a assistir conteúdo de abuso sexual infantil, reportou a revista Forbes em 1º.ago.22.

Segundo os denunciantes, a empresa fornecia diariamente uma planilha com conteúdo a ser moderado, incluindo “centenas de imagens” de crianças que estavam nuas ou sendo abusadas.

Além disso, funcionários alegam que pessoas fora da empresa podiam ter acesso ao conteúdo, “aumentando as chances de vazamento” e possível comercialização das imagens.

Texto Sofia Schurig
Edição Sérgio Spagnuolo

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