Ecossistema de ódio no YouTube é ainda pior para mulheres

Ataques misóginos contra criadoras é problema conhecido desde ao menos 2016, mas empresa pouco faz para combater violência de gênero

Não é novidade que há, dentro do YouTube, canais e criadores que amplificam violência e conteúdo de ódio. Mas o impacto desse ecossistema pode ser ainda mais perverso para mulheres criadoras, segundo uma reportagem publicada pelo jornal The Washington Post no domingo (18.set.2022).

Resumo: Youtubers mulheres com quem o WP conversou relataram que há um ecossistema de criadores misóginos que encorajam espectadores a atacarem mulheres. Quando um vídeo de uma delas viraliza, é quase certo que virão ataques.

E O YOUTUBE? Desde 2016, a plataforma têm ciência dos ataques. Naquele ano, criadoras de conteúdo levaram o tema da violência para a CEO do Youtube, Susan Wojcicki, durante um Creators Summit. Mas não houve ação e o ambiente violento perdura até hoje. Segundo as criadoras, a rede social "fecha os olhos" para a violência direcionada à elas. Eles têm conhecimento do que ocorre, mas não tomam ação porque isso atrai visualizações e, portanto renda, para a plataforma.

FATURANDO: Um relatório da organização britânica Center for Countering Digital Hate publicado em 15.ago.2022 mostrou que o YouTube estaria lucrando cerca de R$20 milhões (£3,4 milhões) por ano em anúncios veiculados em canais que publicam conteúdo do influencer misógino Andrew Tate.

  • Em agosto, depois do relatório, Tate foi suspenso de praticamente todas as redes sociais. O Twitter já havia suspendido o influencer em 2017.

HEARD VS. DEPP: O juri do caso da atriz Amber Heard e do ator Johnny Depp marcou um ponto de não-retorno nessa violência, disseram as criadoras ouvidas pelo WP. Ao passo que o evento empoderou Youtubers misóginos, que ganharam milhares de seguidores, mulheres criadoras que se posicionaram do lado de Heard ficaram sujeitas a mais ataques.

MEDIDAS POSSÍVEIS: na visão dessas mulheres, algumas das quais abandonaram o YouTube, há diversas medidas que a empresa poderia tomar para tornar o ambiente mais seguro para elas. Por exemplo: adicionar controles mais rígidos à seção de comentários, banir atores e canais cujo conteúdo esteja focado em atacar mulheres, não impulsionar conteúdo misógino e oferecer mais recursos a youtubers mulheres.

Texto Laís Martins
Edição Alexandre Orrico


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