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Um ex-analista de risco do TikTok afirma que os esforços da empresa para impedir que dados de norte-americanos sejam acessados por funcionários chineses são insuficientes, segundo entrevista exclusiva dada ao jornal Washington Post publicada nesta sexta-feira (10.mar.2023).

  • O jornal não identificou o ex-funcionário, que trabalhou por seis meses na divisão de Trust and Safety da empresa até o início de 2022.

TIMING. O ex-funcionário procurou membros do Congresso dos Estados Unidos para compartilhar suas preocupações de que o plano da empresa para proteger dados de usuários nos EUA é "extremamente falho", apontando evidências que poderiam "inflamar" as dúvidas de parlamentares quanto ao TikTok no momento em que já se ventila um banimento nacional do app.

Em 2022, políticos dos EUA começaram uma ofensiva contra o TikTok, acreditando que o app é uma ferramenta que pode ser usada pelo governo chinês espionagem. Em 8.mar.2023, senadores levaram ao Congresso um projeto  de lei bipartidário propondo banir o TikTok e outras plataformas baseadas ou controladas em “países preocupantes”.

A ByteDance investiu mais de U$1,5 bilhão para construir o Projeto Texas em parceria com a Oracle, para fazer com que todo o tráfego de usuários norte-americanos seja tratado em servidores nos EUA. A Oracle também pode revisar o algoritmo de recomendação e acionar o alarme caso encontre algo que considere nocivo.

O QUE ROLOU? Segundo o depoimento do ex-funcionário ao veículo, a plataforma tem falhas de segurança que, mesmo com o Projeto Texas, ainda permitiriam a funcionários da ByteDance acessar os dados de usuários norte-americanos.

Ele diz ter sido pressionado para atestar a segurança do Projeto Texas e que enviou uma carta ao CEO do TikTok falando sobre suas preocupações, mas que não recebeu retorno da equipe jurídica da ByteDance para além de um e-mail confirmando o recebimento do documento.

PROVAS? O jornal afirma que o homem mostrou um trecho de código que provaria como o TikTok está conectado a sistemas internos de outros aplicativos da ByteDance, o que, segundo ele, mostraria que dados de norte-americanos poderiam ser acessados mesmo com o Projeto Texas.

QUAL O PROBLEMA? As afirmações do denunciante ao WP, se verdadeiras, significam que o projeto essencialmente não serve de nada para os EUA. Ainda, o ex-analista disse aos congressistas que, para proteger dados de norte-americanos, seria necessária uma “reengenharia completa” em como o TikTok opera.

OUTRO LADO. Ao Washington Post, o TikTok disse que, por ter sido demitido em 2022, o ex-analista “não teria conhecimento da situação atual do Projeto Texas e dos muitos marcos significativos que a iniciativa atingiu no último ano”.

O CEO do TikTok, Shou Zi Chew, irá depor perante o Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos EUA em 23.mar.2023.

XENOFOBIA. Alguns ativistas chamam a ofensiva contra o TikTok de xenofobia. A Fight for the Future, uma organização de ativistas pelos direitos digitais, lançou relatório criticando a tentativa de banimento e pedindo que legisladores norte-americanos foquem em banir práticas intrusivas de coleta de dados em todas as plataformas.

Texto Sofia Schurig
Edição Laís Martins
TikTok
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