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A Rússia é uma charada envolta em mistério dentro de um enigma, disse Churchill. As aspas ressoam sempre que se tenta entender o que bulhufas acontece no país.

Na última sexta-feira (23.jun) o até agora líder do grupo de mercenários Wagner, Yevgeny Prigozhin, iniciou um motim entre as forças paralelas que geralmente combatem juntinho às Forças Armadas Russas tradicionais na invasão à Ucrânia. O objetivo? Marchar até Moscou em protesto à decisões recentes do Kremlin que acabariam com o grupo.

No sábado, todas as contas ligadas à Prigozhin foram bloqueadas. Todavia, não é à toa que o mercenário, originalmente dono de restaurantes que serviam ao Kremlin, tem um apelido muito peculiar.

REI DOS TROLLS é como mercenário é chamado na Rússia. E com razão, já que sua ampla experiência enquanto fundador de uma agência russa especializada em guerra de desinformação deu liga.

Suas mensagens foram duplicadas por pessoas próximas (mas não bloqueadas) e repassadas adiante, em uma estratégia simples mas efetiva. Com isso, não apenas o bloqueio não fez efeito como gerou mais 11 bilhões de views em 24 horas no canais russos no Telegram, pondo qualquer TV no chinelo.

Ah, e o final dessa novela? Em menos de 24h o motim flopou porque Prigozhin disse que queria apenas "passar um recado" para o governo e evitar uma guerra civil. Agora ele se encontra exilado em Belarus, sabe-se lá por quanto tempo.

Quanto ao relacionamento entre o governo russo e o Grupo Wagner não tem como saber ainda o que vai rolar. Mas ficou claro que não era amor, era cilada.

via Le Monde, Time, Meduza e The Intercept (em inglês)

Texto Leonardo Coelho
Edição Alexandre Orrico

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