Críticos da Folha reclamam do termo "PEC da Gastança"

É assim que o jornal decidiu chamar a PEC da Transição, comprando briga com simpatizantes do governo eleito de Lula, incluindo a Choquei

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Primeiramente: você sabe o que é a PEC da Transição? Vamos à definição do jornal O Globo:

"Aumento real do salário mínimo, Bolsa Família de R$ 600 com adicional de R$ 150 por criança de até 6 anos, investimentos nas áreas da saúde, educação e habitação. Essas foram algumas das promessas de campanha do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as quais não havia recursos suficientes previstos no Orçamento de 2023 proposto pelo atual governo de Jair Bolsonaro (PL).

O futuro governo alegou que, para honrar as promessas era preciso uma licença para gastar acima do atual teto de gastos, que limita o aumento das despesas da União à inflação do ano anterior. A solução encontrada para tal foi uma proposta de emenda à Constituição (PEC). O texto-base da chamada 'PEC da Transição' foi aprovado, em primeiro turno, na noite de hoje [20.out]."

Já a Folha optou por chamá-la de "PEC da Gastança" (sem aspas) — mesmo em textos noticiosos, não opinativos.

Simpatizantes do governo eleito não gostaram.

E apontaram que outros veículos têm adotado o nome mais neutro.

Até a Choquei entrou na briga.

Além da Folha, bolsonaristas como Ricardo Salles e Bia Kicis também preferem o termo "PEC da Gastança".

Já Reinaldo Azevedo, colunista do jornal, propõe um terceiro nome: "PEC da Responsabilidade Orçamentária". Lembrando que estamos falando da pessoa que inventou o termo "petralha"!

O atual ombudsman da Folha, José Henrique Mariante, tratou do assunto em sua coluna mais recente.

(Na imprensa, o ombudsman é "o representante dos leitores dentro de um jornal".)

Mariante primeiro traz a explicação da Secretaria de Redação da Folha pela escolha do termo "PEC da Gastança":

"Segundo a Secretaria de Redação, 'PEC da Gastança' é um 'termo que reflete melhor o propósito da emenda, dado que ela ampliará o gasto federal no novo governo', comparável à 'PEC Kamikaze' do atual. Reflete igualmente evidente sensacionalismo, afiançado apenas por bolsonaristas e pela parte hidrofóbica do mercado. Critério bem diferente do adotado na cobertura das 'emendas de relator', já que 'orçamento secreto', de acordo com o jornal, é impreciso."

E conclui:

"Pesos e medidas desiguais, estranhos aos leitores que se acostumaram a uma Folha coerente com seu papel nos tempos em que essa atitude era absolutamente necessária, como se dela dependesse sua sobrevivência."

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