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Recentemente, o professor da USP Diogo Cortiz compartilhou em seu instagram um vídeo super incrível, mostrando dois cães de pastoreio guiando um rebanho de ovelhas para um determinado local. Muitas pessoas já conhecem o bom trabalho que esses cães prestam na lida do pastoreio, e podem se tornar companhias indispensáveis para tal. Mas como eles aprendem a guiar as ovelhas para o local correto e determinado pelo pastor?

Os pilares do pastoreio

Segundo a reportagem da BBC, existem dois principais elementos que os cães de pastoreio aprendem: estimular que as ovelhas se aglomerem em um rebanho e, a partir disso, sempre que elas estão em um grupo bem unido, conduzi-las para frente. Podemos resumir em duas palavras: coletar e conduzir (as ovelhas).


Um grupo de cientistas resolveu ir afundo nesse padrão comportamental, criando modelos computacionais em paralelo a experimentos em campo, em que os cães de pastoreio foram acompanhados utilizando GPS. A partir das análises, observou-se que a coleta envolve não apenas aglomerar as ovelhas em um grupo, mas também reconduzir as ovelhas "perdidas" para o grupo formado. A partir disso, o grupo se move para o local desejado. Os modelos computacionais previram esses movimentos e confirmaram que os cães estavam, em tempo real, aplicando esses dois pilares (coletar e conduzir).

Segundo os pesquisadores, esses dois pilares também se aplicam para comportamentos de enxames e de cardumes.

Indo por partes

Segundo os pesquisadores, quanto maior o rebanho, mais difícil é aplicar essas regras, devido a um maior número de indivíduos para iniciar o pastoreio. Mas os cães já sabem disso. Pastoreando grupos menores por vez, para uni-los e formar um grupo maior, para daí realizar a condução, é uma saída eficaz e de sucesso criada por esses cães.

Existe uma teoria que explica esse comportamento de rebanho, chamado "rebanho egoísta". Vamos pegar os exemplos das ovelhas: são animais que respondem muito bem à ameaças, de forma colaborativa, trabalhando juntas para minimizá-la.

"Os indivíduos tentam minimizar a chance de algo acontecer com eles, por isso se movem em direção ao centro de um grupo" - Andrew King para BBC

Vou pred...pastoreiar

Alguns pesquisadores consideram que o comportamento de pastoreio poderia ser uma "modificação" de um comportamento predatório, pois envolve a observação de um alvo e o acompanhamento dele. Como isso foi aprendido e modificado? A resposta encontra-se entre os vários anos de evolução, a partir do momento que o cão se aproximou do homem, que passou a selecionar características específicas que o beneficiassem. Os cães participaram de várias tarefas em conjunto com os humanos ao longo da história evolutiva, e o pastoreio foi uma delas. Inicialmente, sua tarefa poderia ter sido proteger esses rebanhos de predadores.

Essa longa parceria pode ter alguns mil de anos de jornada. Existem dados arqueológicos mostrando que os cães europeus dobraram seu tamanho entre 8.000 a 2.000 anos atrás, e pode ter relação com a questão da proteção de rebanhos de predadores.

"Documentos históricos - incluindo registros romanos antigos que davam conselhos aos fazendeiros sobre cães de pastoreio e de guarda - sugerem que os cães eram ainda maiores na época, chegando a pelo menos 32 kg, quase o peso dos atuais grandes cães dos Pirineus." - Science

Rica herança

Algumas evidências apontam que existem genes envolvidos (44, para ser exata) com diferentes traços comportamentais, e o pastoreio não seria diferente. E muitas dessas características podem ser herdadas - e selecionadas ao longo da evolução. Isso poderia explicar o quase "instinto natural" que algumas raças de cães tem para algumas tarefas comportamentais, como o pastoreio. Ainda, os cães podem aprender por observação, ao acompanhar um cão mais experiente realizando a lida do pastoreio.

Como se tudo isso não fosse incrivelmente surpreendente, tenho certeza que esse vídeo irá te surpreender:

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