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Por Mellanie Fontes-Dutra, biomédica, neurocientista, pesquisadora, professora e TEDx Speaker

As mudanças climáticas, para a surpresa de alguns e para a preocupação de muitos, estão se tornando um assunto que não dá mais para fingir que acontecerá num futuro próximo. Esteve, está e estará acontecendo.

Dentro desse repertório de alterações, temos as ondas de calor, as quais recentemente pautaram discussões nas redes sociais com a previsão de possíveis recordes de temperaturas nos próximos dias, em diferentes locais do Brasil.

Eventos extremos, consequências extremas

Segundo a paleontóloga Aline Ghillardi, existiu períodos na história em que o planeta atingia temperaturas mais quentes, no entanto, nossa espécie não se adaptou para períodos de elevadas temperaturas, como outras espécies que viveram nesses períodos (ex.: Cretáceo). 

Ainda, Aline comenta que, “grandes mudanças no clima, independentemente se for mais frio ou mais quente, resultam em extinções em massa”. Fenômenos como esse podem ameaçar muitas espécies e trazer grandes impactos para a nossa também.

Ainda em 2022, o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) mencionou a previsão de ondas de calor sem precedentes, por exemplo, além de eventos extremos ocasionados por tempestades, como os vistos recentemente no Brasil e no mundo, como comentei para a Meteored Brasil

A climatologista Karina Lima reforça que com as ondas atuais, já temos uma pressão significativa sobre nossa infraestrutura. Em 2023, a Europa viveu uma onda de calor histórica, em pleno inverno. E agora, o Brasil pode estar prestes a viver seus novos recordes de temperatura, também durante o inverno.

Mudanças climáticas também impactam sua saúde

O biomédico e sanitarista Jonathan Vicente, em parceria com a Karina Lima, publicaram conteúdos nas redes reforçando o quanto o clima e a saúde andam juntos. Eles trazem o exemplo da insolação, ou heatstroke do inglês, fenômeno caracterizado pela elevação da temperatura corporal para além dos 40ºC, por conta da exposição ao sol.

A insolação pode levar a perda da consciência e a consequências ainda mais graves se a temperatura do corpo não for reduzida. 

 Nesse momento, é importante que estejamos atentos uns aos outros, para que, em caso de situações como essa, possamos agir e preservar a saúde e a vida das pessoas. Abaixo, algumas ações que podem fazer a diferença:  

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mudanças climáticas também podem trazer impactos sobre a circulação de agentes infecciosos, como Dengue, Malária e Cólera.

Muitas doenças conhecidas também podem acometer novas regiões e/ou agravar seus impactos sobre diferentes sociedades, especialmente as doenças transmitidas por vetores, cuja dinâmica é sensível a mudanças do clima e do ambiente.\

Ainda, Jonathan Vicente reforça que as mudanças climáticas trazem impactos significativos sobre a saúde mental. Um exemplo é  o calor extremo, que tem relação com o aumento de 200% em mortes de pessoas com esquizofrenia

Conscientizar, Preparar e Agir

Com tantos avisos nas últimas décadas, filmes hollywoodianos para nos trazer imersões, por mais sensacionalistas que possam ser, em realidades impactadas por eventos extremos, ainda existe uma morosidade com relação a políticas públicas em prol da mitigação das mudanças climáticas. 

Estamos sofrendo os impactos das mudanças climáticas neste momento, e ainda não temos como dizer o quanto eventos anteriores podem ter sido direta ou indiretamente influenciados por elas. Mas a verdade é que precisamos deixar de lado a ideia de que a próxima geração é quem sofrerá esses impactos maiores, ou que é algo que ainda dá para prevenir em sua completude. Já estamos colocando o planeta em muitos de seus limites, e agora, a palavra de ordem é mitigação.

Jonathan Vicente e Karina Lima trazem em seu conteúdo algumas ações importantes sobre o que fazer numa situação em que um indivíduo está passando por insolação. É preciso estar atento uns aos outros e, em situações de calor extremo, sempre que possível, buscar ambientes climatizados, hidratar-se regularmente e redobrar cuidados com populações vulneráveis, como gestantes, crianças, idosos, pessoas com deficiência, atletas, trabalhadores ao ar livre, moradores de rua, animais em condições de rua, entre outros.

Nesse texto para a Meteored Brasil, comentei também sobre o impacto das ondas de calor em nossa saúde e como podemos minimizar seus impactos sobre ela.

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