JOGO RÁPIDO

Saída de Salles do governo divide espaço com repercussão da Covaxin no Twitter

Queda do ministro reforça cenário de um campo anti-bolsonarista que se consolida como polo do debate político no Twitter

Publicado em 23/06/2021 20:24
Arquivado em curtas

Análise Pedro Barciela
Edição Sérgio Spagnuolo


Palavras: 927

Tags: Ricardo Salles, Meio Ambiente, Covaxin

Análise de redes e debates via dados coletados do Twitter.




O anúncio da saída do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na tarde desta quarta-feira (23.jun) foi amplamente negativo para o governo, mas ajudou a ofuscar a repercussão crescente a respeito das potenciais irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin.

Salles é alvo de inquérito por suspeitas de ter atrapalhado investigações sobre apreensões de cargas de madeira e favorecido madeireiros.

A saída do ministro reforçou um cenário que parece estar consolidado nas redes sociais, de que as recentes denúncias contra o governo dão contornos mais claros ao campo anti-bolsonarista no debate político no Twitter. Esse campo em formação - mas já consolidado - passa a contar com novos usuários a cada polêmica nova envolvendo o bolsonarismo.

Se na CPI observamos a consolidação de “divulgadores científicos” como atores do anti-bolsonarismo, os retrocessos ambientais e a atuação de Salles fortalecem a conexão de atores ligados à preservação ambiental e a detratores do ex-ministro (Anitta, por exemplo).

O resultado disso é uma pluralidade cada vez maior de agrupamentos dialogando com o anti-bolsonarismo, enquanto o agrupamento bolsonarista na rede – embora ainda coeso e forte – se mostra cada vez mais isolado.

imagem da capa do livrete com dados de generais do Exército

Ver metodologia abaixo
Número Atores % Conexões % Grau médio
1 51,94 53,15 3
2 12,56 13,89 3.3
3 9,84 5,97 1.8
4 9,61 6,46 2
5 6,93 4,94 2.1
6 4,69 2,32 1.5

CRONOLOGIA

Desde o anúncio da saída do ministro até as 19h foram coletados 43 mil usuários, que geraram 131 mil interações sobre o tema.

Os atores mais citados entre as menções são Ricardo Salles, Meio Ambiente, Demissão, Jair Bolsonaro, Covaxin e Weintraub. Destacam-se também as hashtags #ForaSalles, #ForaBolsonaro, #BolsonaroCorrupto, #PL490Não, #SallesNaCadeia e #Covaxingate.As menções à vacina Covaxin merecem destaque por representarem um “sinal amarelo” entre atores da oposição e setores da imprensa.

Relembrando outro ator bastante citado (o ex-ministro Weintraub), usuários alertam para a possibilidade de a demissão do ministro ser apenas mais uma das “cortinas de fumaça” do governo Bolsonaro para desviar a atenção de assuntos e repercussões delicados para o governo.

Entre as menções no Twitter, destaca-se a narrativa da “linha de fumaça” que aqui é denunciada por atores da imprensa, como a jornalista Andrea Sadi. Outro campo que ganha bastante destaque é liderado pela cantora Anitta que tuitou “O meio ambiente agradece. Fora Salles é real.”

O campo ligado à política partidária também tem papel de destaque, aqui com atores como Marcelo Freixo e Guilherme Boulos em destaque.

Em menor volume, o bolsonarismo tenta enaltecer o ex-ministro, colocando-o como alguém que “peitou ONGs safadas, ambientalistas xiitas, globalistas poderosos, grupos muito organizados e com interesses obscuros em nossos recursos naturais”. O bolsonarismo, no entanto, se mostra mais uma vez restrito ao núcleo duro e isolado.


METODOLOGIA DA ANÁLISE

  • O maior agrupamento [1] do período registrou 51,94% dos usuários e 53,15% das interações (grau médio: 3), concatenando atores como Andréia Sadi, Sensacionalista, Marcelo Freixo, Carol Pires, Guilherme Boulos, Randolfe Rodrigues, Rita Lobo, Paulo Pimenta, Erika Hilton, Pedro Doria, Mídia Ninja dentre tantos outros. Esse campo, cada vez mais consolidado como o centro do anti-bolsonarismo, representa diversos atores e conta com participação significativa de portais de imprensa e jornalistas, bem como partidos de oposição e seus parlamentares/políticos.

  • O agrupamento bolsonarista [2] segue isolado e em volume inferior de usuários: 12,56% dos atores e 13,89% das interações (grau médio: 3.3). Aqui, perfis como Rodrigo Constantino, Alan Lopes, Fabiana Barroso e Leandro Ruschel tentam fomentar um campo em defesa do legado do ex-ministro.

  • Um terceiro agrupamento [3] registrou 9,84% dos atores e 5,97% das interações (grau médio: 1.8) e foi formado principalmente por aqueles atores que foram os primeiros a anunciar a saída do ministro, ainda com um tom extremamente crítico contra Salles. Aqui estão Jornal O Globo, CNN Brasil, André Trigueiro, Jussara Soares, GloboNews, Greengo Dictionary, Renan Brites Peixoto, Greenpeace Brasil, Jeff Nascimento, Gabriela Biló e ClimaInfo, além de outros atores ligados à imprensa progressista (Brasil de Fato) e movimentos sociais.

  • O agrupamento [4] representou 9,61% dos atores e 6,46% das interações (grau médio: 2) e apresenta como principal ator a cantora Anitta. Aqui estão também perfis que ganharam significativa relevância nos últimos meses pela atuação durante a CPI, como @JairMeArrependi. No mais, UNE, Hugo Gloss e Luisa Mell também integram esse cluster.

  • O cluster [5] (6,93% dos usuários e 4,94% das interações - grau médio: 2.1) representa quem até aqui mais se mobilizou e lutou contra a “boiada” de Ricardo Salles. Esse campo é formado por ambientalistas que se desdobraram nos últimos anos para combater os retrocessos, e a queda do ministro em um dia marcado pela aprovação da PL490 na CCJ representa o que enfrentaram. Aqui estão perfis como Biodiversidade Brasileira, Alice Pataxó, @PeDeJatoba, Aroeira, A vida no Cerrado, Karibuxi, @O_eco, Observatório do Clima, dentre outros.

  • Por fim, um agrupamento formado essencialmente pelo G1 [6] (4,69% dos usuários - 2,32% das interações).


É importante porque…

  • Disputa nas redes sociais pode refletir em eleições de 2022.

OUTRAS DO JOGO RÁPIDO


Acesse todo o arquivo >>