Redes sociais falharam em conter extremismo antes de ataque ao Congresso dos EUA, diz comitê

Washington Post publicou documento com conclusões de investigadores sobre ataques de 6.jan, após papel de redes ter sido deixado de fora do relatório final

O comitê que investigou a invasão de 6.jan.2022 ao Capitólio dos Estados Unidos encontrou evidências de que plataformas de redes sociais falharam em tomar ações mesmo após repetidos alertas – de seus próprios funcionários e de terceiros – sobre discurso violento em seus espaços.

Investigadores também apontaram que as plataformas esticaram suas regras para evitar penalizar políticos conservadores, em especial o ex-presidente Donald Trump, por medo de represálias, e que o discurso irresponsável de Trump foi "fator-chave" na inflamação dos grupos extremistas.

CONCLUSÕES PRINCIPAIS DO COMITÊ:

  • Discurso irresponsável de políticos importa;
  • Empresas de redes sociais têm dificuldade em achar o equilíbrio entre falsos positivos e falsos negativos;
  • Intervenções leves podem ser mais sutis e mais poderosas do que a remoção;
  • É crucial para legisladores e para o público que plataformas sejam mais transparentes e consistentes;
  • Enquanto plataformas podem contribuir para a polarização em geral, o 6.jan foi produto da radicalização de um grupo menor de usuários;
  • Plataformas cada vez mais olham para o 'resto da internet' como forma de antecipar ameaças e desenvolver estratégias.

ORIGEM DO RELATÓRIO. O jornal The Washington Post publicou nesta terça-feira (17.jan) uma reportagem sobre as conclusões do grupo responsável por investigar as redes sociais dentro do Comitê.

A reportagem traz na íntegra um rascunho de documento de 122 páginas resumindo os achados que foi deixado de fora do relatório final, que acabou focando mais na ação de Trump antes, durante e após o 6.jan.

PRINCIPAIS REDES CITADAS NO SUMÁRIO: redes que tiveram maior destaque em hospedar ou distribuir desinformação e retórica violenta, segundo o comitê – na ordem do sumário:

  • Twitter – mencionado em 47 páginas
  • Facebook (da Meta) - 68 pág.
  • YouTube (Alphabet) - 22 pág.
  • Reddit - 22 pág.
  • TikTok - 9 pág.
  • Discord - 11 pág.
  • Zello - 5 pág.
  • Twitch - 9 pág.

REDES ALT-RIGHT:

  • Gab - 12 pág.
  • Parler - 18 pág.
  • 8kun - 14 pág.
  • 4chan - 8 pág.
  • TheDonald.win - 23 pág.

OUTRAS REDES: plataformas e sites que tiveram alguma participação em hospedar ou distribuir desinformação e retórica violenta, segundo o comitê:

  • Telegram - 8 pág.
  • Instagram (parte da Meta) - 6 páginas
  • Rumble - 4 pág.
  • Snapchat - 3 pág.
  • Pinterest - 2 pág.
  • ARI5.com, Bitchute, DLive, Eventbrite, GoFundMe, KiwiFarms, Periscope, RocketChat e Vimeo - 1 pág.

CONTEXTO. O relatório final do Comitê foi publicado em dez.2022, mas nas recomendações finais as redes sociais foram mencionadas apenas superficialmente. Pesquisadores dentro do Comitê que ficaram encarregados do papel das plataformas então publicaram um texto a parte falando sobre o que encontraram.

Segundo fontes ouvidas pelo Washington Post, o foco em Trump no relatório representou uma oportunidade desperdiçada para que plataformas sejam responsabilizadas por suas ações ou inações.

A decisão de não anexar o relatório teria sido por temor de ofender Republicanos ou as próprias empresas, segundo o WaPo.

Leia o relatório disponibilizado na reportagem do Washington Post na íntegra aqui:

Reportagem Laís Martins
Edição Sérgio Spagnuolo

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