Cadastre-se gratuitamente nas nossas newsletters

O Instagram está removendo uma postagem super viral no formato de publicidade paga que promove o uso de cetamina para tratar a depressão. A decisão veio após uma recomendação do Comitê de Supervisão da Meta, uma entidade independente responsável por revisar casos de moderação de conteúdo.

Uma investigação recente do Wall Street Journal, com base em uma análise de anúncios no final de 2022, revelou “mais de 2,1 mil anúncios no Facebook e no Instagram que destacavam benefícios de medicamentos prescritos sem mencionar os riscos, promoviam medicamentos para usos não aprovados ou incluíam depoimentos sem divulgar se vinham de atores ou funcionários da empresa”.

SOBRE O CASO. Em dez.22, um usuário verificado do Instagram publicou uma postagem com 10 imagens no formato de parceria paga envolvendo uma fornecedora de terapia com cetamina.

  • Nessa postagem, o usuário mencionou receber uma substância para ansiedade e depressão em locais da fornecedora nos EUA;
  • A postagem não tinha diagnóstico profissional, tratamento em clínica licenciada ou supervisão médica;
  • Além disso, o post descrevia sessões de “terapia” para “depressão e ansiedade resistente ao tratamento”, promovendo o uso de cetamina para “entrar em outra dimensão”;
  • A postagem foi visualizada 85 mil vezes, sendo removida e restaurada três vezes pela Meta.

Vale lembrar que até aquele momento, a Meta não tinha disponibilizado a possibilidade de comprar a verificação em suas redes sociais. Isso só ocorreu em fev.22. O usuário era um “parceiro gerenciado” da empresa, recebendo suporte especial e envolvendo-se com diversos setores da Meta.

O QUE DISSE O COMITÊ. Na sua decisão, a entidade determinou que o conteúdo violava as políticas de Conteúdo de Marca da Meta, que são aplicáveis a conteúdos nos quais os criadores são remunerados por um “parceiro comercial” terceirizado, ao contrário da publicidade em que a Meta é remunerada para exibir anúncios aos usuários.

Adicionalmente, de acordo com o Comitê de Supervisão, o conteúdo também violou o Padrão da Comunidade de Bens e Serviços Restritos da empresa.

Veja um resumo das recomendações feitas pelo Comitê

  • Explicitar. Conforme a decisão, a Meta deve elucidar o papel dos parceiros comerciais na aprovação dos rótulos de “parceria paga” em suas plataformas, incluindo o Instagram. Isso implica em esclarecer o processo de aprovação desses rótulos, que indicam conteúdo patrocinado.
  • Rótulos. Ademais, a empresa deve fornecer uma definição clara do termo “ambiente médico supervisionado”. Além disso, a Meta precisa explicar claramente que é permitido veicular conteúdo sobre o uso de medicamentos em um contexto médico, mesmo que esses medicamentos possuam efeitos psicoativos. Isso visa trazer maior transparência em relação ao uso desses medicamentos em um ambiente médico supervisionado.
  • Moderação. A decisão ressaltou que a Meta deve aprimorar sua abordagem na revisão de conteúdo de marca. Isso implica que a empresa precisa melhorar seus métodos de revisão para assegurar que todo o conteúdo patrocinado esteja consoante as políticas da plataforma, incluindo os Padrões da Comunidade e as políticas específicas de Conteúdo de Marca.
  • Auditoria. A empresa deve conduzir uma auditoria para avaliar como suas políticas estão sendo aplicadas. Esse processo se concentra particularmente na promoção de medicamentos e outros produtos restritos. O intuito é identificar possíveis inconsistências na aplicação das políticas e corrigi-las para garantir uma moderação mais consistente e precisa.

Via Oversight Board (em inglês)

Texto Sofia Schurig
Edição Alexandre Orrico

InstagramMeta
Venha para o NúcleoHub, nossa comunidade no Discord.