Tudo podia acontecer na eleição de Lula, e aconteceu de tudo

Operações da PRF no Nordeste soaram como tentativa de golpe. O ritmo da apuração foi diferente. Aliados do presidente admitiram a derrota e até agora não propuseram virada de mesa #NúcleoNasEleições

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Brasil, 30 de outubro de 2022. Segundo turno das eleições presidenciais. Dava pra prever que a disputa ia ser apertada, dava pra prever que ia ter confusão e dava pra prever, principalmente, que ia acontecer alguma outra coisa imprevisível.

A votação começou tensa, com relatos de blitze da Polícia Rodoviária Federal (PRF) concentradas no Nordeste. Apoiadores do Lula acusaram a instituição de tentar impedir a participação dos eleitores da região — isso tudo enquanto o diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, pedia votos pro Bolsonaro.

Reprodução / Instagram

"Deixem o Nordeste votar" rapidamente virou um slogan entre apoiadores do Lula.

Enquanto petistas já falavam em golpe de estado, bolsonaristas justificavam as operações e parabenizavam as polícias.

O ministro do STF Alexandre Moraes, atual presidente do TSE, já havia determinado na véspera que não houvesse operações. A decisão foi descumprida, e as blitze só cessaram pouco mais de duas horas antes do fim da votação, depois de um encontro do ministro com o diretor-geral da PRF.

Cogitou-se estender a votação no Nordeste por mais algumas horas, o que acabou sendo descartado.

E a apuração começou, naquela tranquilidade total.

O andamento da contagem diferiu bastante do primeiro turno — os votos do Nordeste entraram mais rápido. Depois da virada, que veio antes do que se imaginava, a vantagem do Lula, apesar de pequena, não parou de crescer ao longo da apuração, bem lentamente.

O resultado em Minas Gerais mais uma vez praticamente espelhou o do Brasil inteiro, mas a virada demorou.

Com 100% das seções totalizadas, o Lula teve 50,9% (60.345.999 votos), ante 49,1% do Bolsonaro (58.206.354). Foi bem apertado.

Reprodução / TSE

O tweet de comemoração do presidente eleito já é o mais curtido da história no Brasil, superando o recorde recente do Casimiro.

O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, fez uma referência à frase "we did it, Joe", da vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, que virou meme em 2020 depois da vitória de Joe Biden.

Até a publicação deste post, o Jair e seus filhos ainda não tinham se manifestado nas redes sociais. Coube ao deputado federal eleito Nikola Ferreira (PL-MG), hoje a face mais popular do bolsonarismo fora da família Bolsonaro, fazer um vídeo lamentando a derrota e tentando manter a militância animada.

Pelo menos até agora, nenhum aliado relevante do atual presidente falou publicamente sobre virada de mesa, intervenção militar, fraude ou terceiro turno, o que não deixa de ser surpreendente.

Muitos bolsonaristas colocaram a palavra "luto" nas fotos de perfil de suas redes sociais. Opositores se lembraram imediatamente da pandemia.

O ex-casal Brumar, a Isabela Boscov e até a Venezuela protagonizaram alguns dos memes mais populares celebrando o resultado da eleição.

E, por falar em alívio...

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