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Para muita gente, o Mastodon foi uma promessa que não se realizou. Em novembro de 2022, quando o desmonte do Twitter começou, o Mastodon era a solução perfeita: estava pronto, era só pegar e usar.

Eu já usava o Mastodon havia três anos àquela altura. Fiquei empolgado com a perspectiva de uma migração em massa. Ela aconteceu, ainda que menor do que poderia ter sido e sem efeitos duradouros.

Mea culpa, fizemos — gente que já conhecia o Mastodon — um trabalho ruim. Ao focar em aspectos técnicos quase etéreos, em “instâncias”, “federação” e “descentralização”, afastamos pessoas que só queriam um lugar para matar o tempo, para ler e postar groselha.

Não sei se a janela de oportunidade do Mastodon ainda está aberta. A rede em si segue firme e forte, com atualizações atentas às demandas de velhos e novos usuários e um modelo de “negócio” (se é que pode ser chamado assim) diferente do de todas as alternativas que despontaram — um mais saudável e promissor, acho eu.

Afinal, trocar o Twitter pelo Threads é quase trocar seis por meia dúzia. Um bilionário excêntrico não é muito melhor que outro bilionário ainda mais excêntrico.

Este é um guia descomplicado, portanto breve, para começar a usar o Mastodon – que deveria ter publicado no final de 2022. Sem enrolação, sem tecniquês: é para quem está insatisfeito(a) com o Twitter e não vê futuro em Threads, Bluesky ou qualquer outra plataforma que, apesar da roupagem limpinha, é fundada nas mesmas premissas falhas do Twitter.

Como começo?

É bem simples, apenas dois passos:

  1. Acesse mastodon.social;
  2. Faça seu cadastro.

E… pronto. “Instância”? “Servidor”? Não precisa se preocupar com isso agora.

Se preferir, baixe o aplicativo oficial (Android, iOS) e cadastre-se por lá. O caminho é ainda mais simples — por lá, basta seguir o guia acima a partir do passo #2.

Quem eu sigo?

Você provavelmente tem algum(a) amigo(a) chato(a) que ainda insiste no Mastodon. Tipo eu!

Comece por eles e trate-os como o início do fio da meada: abra as listas de quem eles seguem e procurem por carinhas conhecidas ou que pareçam interessantes. Siga sem muitos critérios; depois, se calhar de seguir alguém realmente chato, é só deixar de seguir, sem crise.

Se você quer deixar o seu feed animado, a lista dos perfis mais falantes do Brasil, mantida pelo Augusto Campos, é um excelente ponto de partida.

Aqui, aliás, vale um adendo sobre “adicionar/seguir pessoas”. (Nem tudo no Mastodon é simples…) Há duas situações possíveis:

  1. Quando você topa com um perfil no seu feed, o fluxo de seguir alguém é idêntico ao Twitter: basta tocar no botão Seguir.
  2. Quando você se depara com alguém em outra instância/servidor/domínio, o botão “Seguir” não vai funcionar da maneira esperada. O jeito mais fácil de adicionar essa pessoa é abrir a sua instância (no caso, mastodon.social) e colar o nome completo do perfil na busca — por exemplo @[email protected].
Print de um perfil, com o nome do usuário (@manualdousuario@mastodon.social) destacado por um traço vermelho.
Na dúvida? Copia a “arroba” do(a) amiguinho(a) e cola na busca para encontrá-lo(a). Imagem: Núcleo Jornalismo.

E para me seguirem?

Os feeds do Mastodon são ordenados de maneira cronológica, sem filtros/algoritmos “For You” ou qualquer coisa do tipo.

Isso significa, entre outras coisas, que viralizar pode ser mais difícil, pois não existe um algoritmo que impulsiona conteúdos que se destacam.

Interagir é um bom caminho para ser notado(a). Só atente ao seu próprio perfil antes de sair adicionando e postando: coloque uma fotinha (não precisa ser uma foto; qualquer imagem está valendo), preencha o espaço da bio, coloque alguns links. Isso ajuda muito na hora de decidir quem seguir.

Se você é um(a) “lurker”, alguém que só observa, a demanda por um perfil detalhado é menor.

O Mastodon é feio — ou: Tem apps?

Existem duas interfaces oficiais no Mastodon, uma que emula a do Twitter e outra que lembra o TweetDeck dos bons tempos.

Print da interface avançada do Mastodon aberta no navegador Safari.
Interface avançada precisa ser ativada nas preferências. Imagem: Núcleo Jornalismo.

Para alternar entre elas, entre nas Preferências, e (des)marque a opção Ativar interface web avançada na aba Aparência.

Sendo uma plataforma aberta e amigável a terceiros, ninguém fica limitado à interface oficial. Existem algumas alternativas de muito bom gosto e/ou com propostas diferentes, como o Elk ou o Phanpy. Basta dar permissão à sua conta no Mastodon para usá-las — são gratuitas e de código aberto.

Para celulares, existe uma cena forte de aplicativos, alguns de ótima qualidade. No Android, gosto bastante do Tusky. Para iOS, o Ivory é ótimo, ainda que caro, e tem o Ice Cubes, que é gratuito.

Para ambas as plataformas existe o aplicativo oficial. Não é dos melhores, mas… né, para quem usa ou usava o app oficial do Twitter, a barra é bem baixa nesse aspecto.

O site oficial de promoção do Mastodon tem uma página muito boa que agrega aplicativos de terceiros.

O que é CW?

O Mastodon não é um clone perfeito do Twitter, e alguns recursos a mais evidenciam isso.

Um dos mais curiosos é o aviso de conteúdo, ou “CW” (de “content warning”, em inglês). É como se fosse um filtro de spoiler: ao tocar nesse botão, um campo extra no formulário de postagem aparece. Use-o para explicar do que se trata o post.

Digamos que você queira comentar um assunto delicado, envolvendo morte ou algum distúrbio. Nessa situação, dá para usar o CW para avisar seus seguidores do que trata o post.

Não precisa ser algo muito detalhado. Nos nossos exemplos, um CW ok seria algo como “Menciona morte”, ou “menciona bulimia”.

Dois prints de um post no Mastodon com aviso de conteúdo, o primeiro com o botão “Mostrar mais” e o conteúdo oculto, o segundo com o conteúdo exposto após clique no botão.
Imagem: Núcleo Jornalismo.

Tem gente que leva muito a sério isso (e o uso de texto alternativo em imagens). Essa galera às vezes exagera, mas não custa fazer um esforço para preencher esses campos extras. De qualquer forma, se não der vez ou outra, por esquecimento ou alguma questão pontual, tudo bem, não é o fim do mundo.


No mais, se tiver dúvidas, pergunte. Se achar que o feed está monótono, siga mais gente. Se não conseguir seguir alguém, pergunte também.

Post feito em parceria com o Manual do Usuário

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