Conceder selo de verificação nas redes sociais continua uma bagunça
Arte: Rodolfo Almeida

Os cobiçados selinhos azuis chegam a ser negados para jornalistas, mas podem ser concedidos a páginas e perfis que espalham desinformação

Com mais de 1,5 milhão de seguidores no Facebook, o Jornal da Cidade Online se descreve em seu site como "extremamente respeitado pelo seu público leitor por seu comprometimento com a análise dos fatos, material opinativo, pluralidade e compromisso com a verdade". A página ganhou neste ano o selo de verificação azul da rede social.

Na prática, o jogo é outro. Desde as eleições presidenciais de 2018, agências com certificação internacional de checagem de fatos, como Comprova, Aos Fatos e Lupa -- as duas últimas parte do programa de checagem independente do Facebook -- vêm sinalizando o papel do Jornal da Cidade Online na disseminação de conteúdos falsos e na participação de ataques direcionados contra políticos e jornalistas.


É importante porque...
  • Selos de verificação são considerados sinal de status nas redes sociais, atribuindo importância aos perfis que os possuem
  • Perfis que espalham desinformação podem possuir selo de verificado, ajudando sua popularidade

Em reportagem publicada em abril de 2020, o Aos Fatos identificou que o Jornal da Cidade Online faz parte de uma rede online de desinformação e que possui vínculo financeiro com uma página mantida pela viúva do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido como torturador durante a ditadura militar no Brasil.

A página, no entanto, ainda exibe o selo de verificação. Isso porque, para a rede, o selinho não tem juízo de valor: ele apenas prova que aquela página realmente é quem ela diz ser.

Há diversas outras páginas no Facebook que também promovem desinformação e teorias conspiratórias, como a de Olavo de Carvalho, que possuem o selo azul. No YouTube, o canal Terça Livre, que chegou a ser suspenso por desinformação mas foi reintegrado pela justiça, também é verificado, assim como do ex-jornalista Alexandre Garcia.

Garcia também é verificado no Twitter, no Facebook e no Instagram, apesar de ser notoriamente um divulgador de fake news sobre o combate à pandemia, segundo documentos enviados à CPI da Pandemia pelo próprio Google e revelados pelo jornal O Globo.

Pesquisadores ouvidos pelo Núcleo alertam que o selo azul, independentemente da intenção da plataforma, pode ser compreendido quase como endosso ou chancela da rede em relação à página ou conta verificadas, o que suscita um debate sobre o conflito entre as políticas de plataformas para verificar perfis e em como os usuários e o público em geral compreendem esse tipo de marcação.

Para João Vitor Archegas, pesquisador do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS-Rio), essa percepção foi reforçada pela nova política de verificação de contas do Twitter, anunciada em maio deste ano, que prevê a revogação de selos caso as contas violem as políticas de comunidade da plataforma.

"Eles abrem uma salvaguarda no sentido de que, se aquela conta espalhar desinformação, se aquela conta praticar discurso de ódio ou qualquer coisa nesse sentido, você tira o selo de verificação", explicou Archegas.

"Quando a plataforma adota essa postura, para mim fica muito claro que ela está concordando com essa visão de que as pessoas olham pro selo de verificação não apenas como uma verificação de identidade, mas também com uma verificação de conteúdo e de comportamento", disse o pesquisador.

Com a reabertura do programa de verificação no Twitter, voltaram a circular tuítes de usuários -- de acadêmicos a jornalistas -- reclamando por não terem sido verificados ainda ou terem tido seus pedidos negados.

Verdade seja dita, não é de hoje que o selinho de verificação virou uma commodity.

"As pessoas querem ser verificadas porque aquilo dá status, faz com que te vejam de uma de uma forma diferente nas plataformas" - João Vitor Archegas, do ITS.

BENEFÍCIOS

Por mais que as plataformas não gostem de admitir que a verificação traga muitos privilégios, o fato é que, direta ou indiretamente, os portadores desses selos se beneficiam.

A começar, pelo engajamento. Análise com dados de Twitter da ferramenta de descoberta científica Science Pulse, do Núcleo, mostra que contas verificadas possuem mais interações médias por tweet do que as não verificadas, embora sejam minoria.

Desde janeiro de 2021, os perfis com mais de 5.000 seguidores monitorados pelo projeto registraram maior taxa de engajamento para os perfis verificados, com 347 interações médias diárias por tweet, ao passo que os não verificados tiveram em média 252 interações por tweet por dia.

A base do Science Pulse possui 1.505 perfis monitorados, sendo apenas um a cada quatro verificados. No entanto, a soma de todos os seguidores dos 454 perfis verificados é quase 20 vezes maior do que o dos 1051 que não têm o selinho. Em média, um perfil verificado de cientista possui 338 mil seguidores, contra cerca de 7.700 dos não verificados.

No Twitter Espaços -- novo recurso de conversas de áudio ao vivo da plataforma -- perfis verificados ficam automaticamente no topo das salas de bate-papo, colocando-os em evidência. No Instagram, contas verificadas podem incluir links em seus Stories mesmo que não tenham 10.000 seguidores exigidos pela plataforma.

Comentários e menções de contas verificadas também aparecem em destaque em resultados de buscas ou notificações.

Usuários verificados também podem ganhar acesso a funcionalidades novas das redes (como com o Twitter Espaços) antes de outras contas não verificadas, explicou Archegas.

Também não faltam publicações de consultorias de redes sociais falando sobre o prestígio que a verificação concede ao usuário, dando evidência para certos perfis e facilitando a monetização com publicidade, parcerias e criação de marca pessoal.

O programa de verificação de contas do Twitter havia sido suspenso em novembro de 2017, depois que o Twitter verificou a conta de um supremacista branco nos Estados Unidos envolvido na organização de um protesto em Charlottesville que culminou na morte de uma pessoa.

À época, o Twitter reconheceu que o selo de verificação estava sendo interpretado como um endosso ou indicador de importância, apesar de esta não ser a intenção. Quando foi lançado em 2009, o programa de verificação tinha a intenção de confirmar contas oficiais de pessoas que estariam sujeitas a falsa personificação.

Durante o período em que o formulário de solicitação ficou suspenso, o Twitter abriu exceções para verificar contas de atores políticos, personalidades, jornalistas e, mais recentemente, divulgadores científicos, mesmo que eles não tenham pedido.


Tradução: "A verificação tinha a intenção de autenticar identidade e voz, mas é interpretada como um endosso ou indicador de importância. Reconhecemos que criamos essa confusão e precisamos resolvê-la. Pausamos todas as verificações gerais enquanto trabalhamos e traremos mais informações em breve."

No molde atual, o programa de verificação do Twitter passa a considerar a moderação de conteúdo também para a verificação de contas.

"Antes isso não existia. Se a pessoa estivesse praticando discurso de ódio ou compartilhando desinformação, isso não influenciava no processo de verificação, porque ele tinha outro objetivo. Agora, eles estão fazendo com que essas duas coisas andem de mãos dadas", explicou Archegas.

Quem faz jornalismo?

Em meados de junho, a jornalista de ciências Luiza Caires

Disclaimer: a jornalista é colaboradora do Núcleo na newsletter Polígono.

solicitou a verificação de seu perfil no Instagram dentro da categoria mídia/notícias. Ela, que já é verificada no Twitter desde 2020, teve seu pedido negado uma semana depois, sem grandes explicações.

Caires contou ao Núcleo que no pedido de verificação enviou três ou quatro links, incluindo um link para o seu Twitter, onde ela possui quase 75 mil seguidores, reportagens para as quais ela foi entrevistada e matérias produzidas por ela, que é editora de Ciências no Jornal da Universidade de São Paulo. A rejeição veio sem muitos detalhes, apenas de que o seu perfil não atendia aos critérios de verificação.

No caso de contas ligadas a empresas de mídia, como é o caso do Jornal da Cidade Online, a discussão extrapola os limites das redes sociais, sugere Sérgio Lüdtke, editor-chefe do Projeto Comprova, uma iniciativa colaborativa de checagem de fatos. Para ele, há um dilema maior exposto pelas plataformas e que precisa ser abordado de maneira urgente, que é o de validar o que é jornalismo ou não.

"Há muitos sites hiperpartidários que se valem de uma narrativa noticiosa, de narrativa jornalística e que até podem ter jornalistas por trás, mas que fogem um pouco de alguns critérios, de metodologias, da ética jornalística", explicou Lüdtke.

Essa apropriação, que se vale de formato jornalístico e até mesmo o nome de um veículo de mídia para produzir conteúdos enviesados, sem contexto, e carregados de desinformação, traz graves danos para o ambiente de informação, segundo ele. "Essa narrativa tem alguma credibilidade que o jornalismo empresta a ela."

Pelas regras do Facebook, o Jornal da Cidade Online é o que diz ser: uma empresa de mídia. Mas quem definiu que o Jornal da Cidade Online é uma empresa de mídia foi ele mesmo, já que esse tipo de categorização funciona na base da autodeclaração. Para Lüdtke, ao não deixar claro que foi uma autodeclaração, cria-se a impressão de que o Facebook chancela que o Jornal da Cidade Online é, de fato, uma empresa de mídia.

Há soluções possíveis de serem implementadas, segundo os pesquisadores, e todas passam por aumentar a transparência.

Para de fato verificar e validar que páginas ou contas que se declaram como empresas ou figuras de mídia, poderia haver algum tipo de certificação externa, sugere Lüdtke, de modo que esse tipo de arbitragem não fique na mão das plataformas. Um exemplo é a escala de confiabilidade desenvolvida pelo Trust Project, dos Estados Unidos.

Já na visão de Archegas, a solução passa por estabelecer parâmetros mais claros e estabelecer estruturas independentes que possam rever decisões de moderação de conteúdo, como é o caso do Oversight Board, ligado ao Facebook. "Você tenta trazer mais racionalidade e mais estabilidade para o processo de moderação de conteúdo".

posicionamento

O Núcleo enviou perguntas para Facebook, Twitter, YouTube e Instagram sobre as políticas de verificação.

  • Páginas ou contas verificadas têm algum privilégio em relação a algoritmo? (Por exemplo, são mostrados mais vezes ou priorizados?)
  • A rede leva em conta o tipo de conteúdo publicado pelas páginas ou atores verificados ao conceder um selo de verificação ou revogar?
  • Podem informar se já revogaram selos de verificação de atores políticos ou páginas de notícias por violações às políticas de comunidade?
  • Somente para Facebook: as regras são as mesmas para o Instagram? Se não, quais as regras para essa rede?
  • Somente para Facebook: Há páginas verificadas que já foram sinalizadas por parceiros de verificação do Facebook, como o Aos Fatos, como principais disseminadores de desinformação, por exemplo o Jornal da Cidade Online. Poderiam comentar esse ponto?

FACEBOOK: em posicionamento enviado por email, afirmou somente (íntegra): "É possível solicitar um selo de verificação para confirmar que a Página ou Perfil é a presença autêntica de uma marca ou figura pública nas plataformas. Esse selo não oferece nenhuma vantagem, assim como não é um endosso do conteúdo. Perfis ou Páginas verificados seguem sujeitos aos Padrões da Comunidade."

INSTAGRAM: por email, afirmou que o selo de verificação "é uma ferramenta para ajudar as pessoas a encontrar as contas reais de figuras públicas e marcas. Ele indica que verificamos que a conta do Instagram é a presença autêntica da figura pública, da celebridade ou da marca que ela representa, além de ser notável e autêntica. Um selo de verificação não é um símbolo de importância, autoridade ou conhecimento de um assunto. Além disso, não usamos o selo de verificação para apoiar ou reconhecer figuras públicas e marcas".

O selo de verificação é uma ferramenta para ajudar as pessoas a encontrar as contas reais de figuras públicas e marcas. Ele indica que verificamos que a conta do Instagram é a presença autêntica da figura pública, da celebridade ou da marca que ela representa, além de ser notável e autêntica. Um selo de verificação não é um símbolo de importância, autoridade ou conhecimento de um assunto. Além disso, não usamos o selo de verificação para apoiar ou reconhecer figuras públicas e marcas.

(1) Contas verificadas não têm qualquer tipo de privilégio de distribuição de conteúdo e devem seguir as Diretrizes da Comunidade do Instagram, da mesma forma que as não verificadas. Adicionalmente, qualquer conta (verificada ou não) que siga os nossos padrões de referência para recomendação pode ser recomendada nas superfícies de descoberta do Instagram, como o Explorar, contas recomendadas e no IGTV.

(2) Levamos em conta diversos fatores para determinar se uma conta cumpre os nossos critérios de verificação, além de estar de acordo com os Termos de Uso e Diretrizes da Comunidade do Instagram.

(3) O Instagram pode remover selos de verificação de qualquer tipo de conta a qualquer momento, bem como retirar o seu selo ou desativar a sua conta se você:

  • Anunciar, transferir ou vender o seu selo de verificação.
  • Usar a sua foto do perfil, biografia ou seção de nome para promover outros serviços ou atividades que violam as Diretrizes da Comunidade ou os Termos de Uso.
  • Tentar verificar sua conta por meio de terceiros.
  • Mudar a sua conta de pública para privada diversas vezes.

Vale ressaltar que não é possível alterar o nome de usuário da conta após a verificação. Todos os detalhes sobre o selo de verificação estão disponíveis neste link da Central de Ajuda do Instagram. Recentemente, também fizemos um blog post explicando como o nosso algoritmo funciona.

A rede social também esclareceu por meio da assessoria de imprensa que contas verificadas não têm qualquer privilégio de distribuição de conteúdo e que se reserva ao direito de remover selos de contas verificadas a qualquer momento, penalizando coisas como venda ou transferência do selo, tentar verificar a conta via terceiros ou alternar muitas vezes entre conta pública e privada.

YOUTUBE: A rede de vídeos respondeu apenas (íntegra): "Para essas questões, sugiro a você que acesse essa página. Por lá temos o detalhamento de como funcionam os selos de autenticidade."

TWITTER: por email, informou que ”o selo azul é uma forma de ajudar as pessoas a identificar a autenticidade de contas de grande interesse público” e que contas verificadas não são privilegiadas em relação a outras. A plataforma acrescentou ainda que cada solicitação é analisada por uma equipe de agentes treinados que utilizam como base a Política para contas verificadas e que o Twitter pode remover o selo e status de verificação de uma conta a qualquer momento e sem aviso prévio.

  • Contas verificadas no Twitter têm algum privilégio em relação ao algoritmo? (Por exemplo, são mostrados mais vezes ou priorizados?)
    Além do selo azul, as contas verificadas não recebem tratamento especial. O selo azul é uma forma de ajudar as pessoas a identificar a autenticidade de contas de grande interesse público. Assim, elas saberão com quem estão conversando.
  • O Twitter leva em conta o tipo de conteúdo publicado pelas páginas ou atores verificados ao conceder um selo de verificação ou revogar?
    Para receber o selo azul, a conta deve ser autêntica, notável e ativa. Autêntica, via diferentes métodos de verificação de identidade. Notável, ao representar ou estar associada a um indivíduo ou marca proeminentemente reconhecida. Atualmente há seis tipos de contas verificadas: governo; empresas, marcas e organizações; organizações de notícias e jornalistas; entretenimento; esporte e jogos; e ativistas, organizadores e outros indivíduos influentes. Por fim, a conta deve estar ativa, com acesso nos últimos seis meses, com nome e uma imagem de perfil, com endereço de e-mail ou número de telefone confirmado, e em conformidade com as Regras do Twitter. Temos uma equipe de agentes treinados que analisam cada solicitação com base na nossa Política para contas verificadas. É somente essa política que norteia as decisões da empresa sobre a concessão ou não do selo azul.
  • Podem informar se vocês já revogaram selos de verificação de atores políticos ou páginas de notícias por violações às políticas de comunidade?
    Não falamos de casos específicos, mas segundo nossa política, o Twitter pode remover o selo azul de verificação e o status Verificado de uma conta a qualquer momento e sem aviso prévio, com base em critérios detalhados neste link.

CRITÉRIOS PARA VERIFICAÇÃO

  • FACEBOOK
    → Conta deve respeitar as políticas e diretrizes de comunidade da rede
    → Conta deve ser autêntica
    → Conta a ser verificada deve ser a única representando aquela pessoa ou empresa
    → Conta deve ser pública, ter biografia e foto de perfil e estar ativa
    → Pessoa ou empresa devem ser conhecidas publicamente
    (link)
  • INSTAGRAM (link)
    → Conta deve respeitar as políticas e diretrizes de comunidade da rede
    → Conta deve ser autêntica
    → Conta a ser verificada deve ser a única representando aquela pessoa ou empresa
    → Conta deve ser pública, ter biografia e foto de perfil e estar ativa
    → Pessoa ou empresa devem ser conhecidas publicamente
    (link)
  • TWITTER

    → Estabelece que a conta deve ser autêntica, notável e ativa

    → Conta a ser verificada deve se enquadrar em uma das seguintes categorias: governo; empresas, marcas e organizações; veículo de mídia ou jornalista; entretenimento; esportes e games; ativistas, organizadores e outros influenciadores

    → Os critérios variam de acordo com a categoria da conta

    → Conta não pode ter sofrido uma suspensão de 12 horas ou sete dias por violação às regras de uso nos último seis meses

    (link)

  • YOUTUBE:
    → Solicitação de verificação para canais acima de 100 mil inscritos
    → Não verificam canais que tentam se passar por outros criadores de conteúdo ou marcas
    → Ser autêntico: representar o verdadeiro criador de conteúdo, marca ou entidade que afirma ser. Vários fatores diferentes serão analisados para confirmar a identidade, como a idade do canal. Também poderemos pedir mais informações ou documentos.
    → Ser completo: seu canal precisa ser público e apresentar descrição, banner, foto do perfil e conteúdo, além de ser ativo no YouTube.
    (link)

COMO FIZEMOS ISSO

O Núcleo entrevistou pessoas que tiveram verificação negada pelas plataformas e notou que alguns perfis que espalham desinformação possuem selo em diversas plataformas.

Entramos em contato com Facebook, Instagram, YouTube e Twitter para ilustrar essa pauta, embora diversas outras possuam selo de verificação também.

Os dados de engajamento foram obtidos e analisados a partir do Science Pulse, projeto do Núcleo.

Reportagem Laís Martins
Edição Sérgio Spagnuolo e Samira Menezes
Arte Rodolfo Almeida

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