Verificação no YouTube é difícil até para o governo

Só sete dos 87 canais de órgãos da administração do Executivo federal possuem a identificação

O Núcleo identificou que apenas 7, dentre 87, canais de YouTube que pertencem a órgãos da administração direta ou indireta do Executivo federal possuem selo de verificação da plataforma.

O levantamento foi feito a partir de uma planilha organizada pelo governo e disponível no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do Ministério das Comunicações, o que garante que os perfis que não são verificados pertencem mesmo a órgãos governamentais.


É importante porque...
  • Evidencia a falta de critério na verificação de canais, mesmo os oficiais do governo
  • Confunde os usuários, que não têm certeza de que o conteúdo é legítimo e verdadeiro

O YouTube afirmou ao Núcleo que “é possível solicitar a verificação quando o canal atingir a marca de 100 mil inscritos”. Porém, três canais que não cumprem o requisito estabelecido pela plataforma possuem o selo apesar disso: Petrobras (90 mil inscritos), Ministério do Turismo (19 mil) e Ministério do Desenvolvimento Regional (12 mil).

E mesmo contas que cumprem o critério — como as da Caixa Econômica Federal (950 mil inscritos), da Embrapa (299 mil) e do Ministério da Educação (226 mil) — não têm o selinho.

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Questionada sobre os casos específicos, a empresa não se manifestou. Na Central de Ajuda, consta que “o YouTube também verificará de maneira proativa os canais com menos de 100 mil inscritos que forem muito conhecidos fora da plataforma”, sem especificar se órgãos governamentais cabem no critério de serem “muito conhecidos fora da plataforma”.

Em um ambiente permeado com desinformação, a falta de identificação clara nos perfis de instituições públicas dificulta que usuários tenham certeza de que o conteúdo é oficial.

Recentemente, órgãos governamentais que não têm seus canais verificados tiveram problemas com o YouTube.

No mês passado, o canal do Tribunal de Contas da União (TCU), órgão vinculado ao Legislativo federal, foi suspenso por sete dias, e julgamentos que seriam transmitidos pelo YouTube foram adiados. Também em fevereiro, o canal da Embrapa, que oferece lives e cursos de interesse público, ficou fora do ar durante oito dias, depois de sofrer uma invasão, e só voltou ao ar após a reportagem do Núcleo questionar o YouTube.

Até canais de instituições que têm papel importante em desmentir informações falsas — como os do Banco Central (83 mil inscritos), da Receita Federal (74 mil) e da Polícia Federal (65 mil) — não possuem o selo de verificação, o que dificulta aos usuários confirmar que são oficiais.

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RESPOSTA DO YOUTUBE

O Núcleo questionou o YouTube especificamente sobre os canais de órgãos governamentais, mas a empresa não aborda o assunto na resposta enviada.

Leia a íntegra abaixo.

Para receber o selo de autenticidade do YouTube, é necessário fazer o pedido de verificação e cumprir alguns requisitos exigidos pela plataforma.

É possível solicitar a verificação quando o canal atingir a marca de 100 mil inscritos. Mas é importante ressaltar que a finalidade da verificação é diferenciar um canal oficial de outros que tenham nomes parecidos na plataforma. Ou seja, os canais verificados não têm recursos a mais no YouTube.  Os selos também não representam um prêmio, um marco ou uma recomendação da plataforma.

Caso um canal seja verificado, ele continuará com esse status a menos que se mude o nome dele. Se isso ocorrer, o canal com o novo nome não estará verificado e será preciso enviar uma nova solicitação.

Há ainda algumas maneiras de diferenciar um canal, ainda que ele não seja verificado: usar um nome de canal exclusivo que represente quem o tipo de conteúdo que publica, uma imagem de alta qualidade como foto do perfil para que seu canal tenha uma aparência profissional nos resultados da pesquisa. Personalizar o layout e o branding do canal para oferecer uma aparência única e uma impressão específica na página inicial.

Ainda que o canal preencha os requisitos, o YouTube se reserva o direito de revogar a verificação ou encerrar canais de usuários que violarem nossas diretrizes da comunidade ou Termos de Serviço.

COMO FIZEMOS

O Núcleo teve acesso a uma planilha organizada pelo governo e disponível no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do Ministério das Comunicações. O link para os dados oficiais está aqui e para a tabela organizada pelo Núcleo está aqui.

A partir daí, o repórter Alexandre Aragão organizou uma tabela própria para poder comparar mais facilmente as informações e entrou em contato com o YouTube para esclarecer os critérios de verificação.

Reportagem Alexandre Aragão
Edição Alexandre Orrico


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