Busca do Telegram ajuda app a crescer no Brasil
Arte por Rodolfo Almeida

Uso do Telegram entre maiores de 16 anos saltou de 31% em dez.2020 para 43% em dez.2021, de acordo com pesquisa do InternetLab em parceria com a Rede Conhecimento Social.

No fim de 2020 pouco se falava da importância do Telegram no debate político do Brasil. Agora, dados inéditos de uma pesquisa de representatividade nacional mostram como esse cenário mudou.

O uso do Telegram na população maior de 16 anos saltou de 31% em dezembro de 2020 para 43% um ano depois, em dez.2021, de acordo com uma pesquisa do InternetLab em parceria com a Rede Conhecimento Social.

Ao todo, mais da metade (53%) dos respondentes da pesquisa disseram que acompanham temas de política e eleições na plataforma, embora 40% deles se digam inseguros em falar de política na plataforma – ou seja, ficam quietos, só acompanhando.

O salto de 12 pontos percentuais foi o maior dentre todas as 9 redes analisadas pela pesquisa.

O número de usuários deve estar ainda maior atualmente, especialmente com toda atenção dada ao Telegram após o episódio em que o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou o bloqueio do aplicativo no Brasil pelo não cumprimento de medidas judiciais.

Tipo Google

Não é novidade que o app de mensagens deu uma arrancada bruta no país no começo de 2021, impulsionada principalmente por usuários de direita fugindo de moderação em outras plataformas.

Na época, com sanções impostas pelas Big Tech contra redes de direita como Parler e Gab por conta da invasão ao Capitólio nos EUA em 6.jan.2022, levou muitos usuários novos ao Telegram.

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No entanto, uma das grandes novidades que a pesquisa trouxe foi identificar que o Telegram se tornou uma plataforma a qual muitos usuários recorrem para obter informações e participar de comunidades – muito mais parecido com redes sociais e com mecanismos de busca do que com um app de mensagem.

Para isso, o mecanismo de busca do Telegram (que nem é tão bom, diga-se) tem um papel fundamental. Por ele é possível encontrar assuntos e tópicos de interesse e entrar facilmente em comunidades, algo que não existe no WhatsApp.

"A pesquisa mostra claramente que o Telegram ocupa uma função muito diferente da função do WhatsApp", diz Heloisa Massaro, diretora do InternetLab e uma das responsáveis pela pesquisa.

"O WhatsApp está num uso muito quotidiano das pessoas, é o lugar no qual as pessoas reproduzem seus papéis sociais – onde elas falam com amigos, familiares, colegas de trabalho. É também um lugar muito para negócios, vender coisas, atendimento a clientes etc.", disse a pesquisadora.

"Já o Telegram é um aplicativo que ocupa uma função de acesso à informação"‌‌
- Heloisa Massaro, diretora do InternetLab

"Tem gente que usa o Telegram como mecanismo de busca, pra buscar conteúdo, e não apenas sobre política".

Enquanto no WhatsApp há uma concentração de discussões políticas em grupos de família, amigos e trabalho, no Telegram o usuário chega em um campo aberto, entrando em canais de informação novos para eles e em comunidades repletas de desconhecidos.

"Os grupos no Telegram são muito difusos, os usuários estão fazendo buscas e se organizando por afinidades ideológicas, interesses e expandindo sua rede de contas, de uma forma muito diferente do WhatsApp – onde estão seus contatos diretos", completa a diretora do InternetLab.

Mesmo sem buscar esse tipo de assunto, os usuários do Telegram estão mais sujeitos a fazerem parte de debates políticos em canais e grupos que encontraram em suas buscas.

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Como fizemos isso

A pesquisa é representativa da população e foi realizada pelo InternetLab em parceria com a Rede Conhecimento Social.

A amostra quantitativa foi feita em painel online com pessoas de 16 anos ou mais com acesso à internet e que usam WhatsApp e/ou Telegram. Foram coletadas 2.109 respostas entre 16.dez.2021 e 28.dez.2021 em todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

A pesquisa qualitativa foi dividida em 10 grupos com 5 a 8 pessoas com segmentações de escolaridade e posicionamento político. A realização foi entre 18.jun.2022 e 30.jun.2022.

A pesquisa foi apoiada pelo National Endowment for Democracy (NED) e pelo WhatsApp, mas foi realizada de forma independente, sem interferência dos financiadores.

Acesse na íntegra o estudo aqui

Reportagem Sérgio Spagnuolo
Arte Rodolfo Almeida
Edição Alexandre Orrico


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