Twitter dá respostas vagas sobre curadoria em eleições

Parte da curadoria de conteúdo eleitoral é feita pelo algoritmo, mas não fica claro exatamente quais sinais são levados em consideração na seleção

Em meados de julho, o Twitter inaugurou dentro da aba "Explorar" uma nova seção sobre as eleições de 2022. Essa nova aba concentra, segundo a empresa, "as conversas políticas mais importantes do momento, com conteúdos produzidos por jornalistas, veículos de imprensa, autoridades e outras instituições, vídeos ao vivo, Espaços, listas com contas confiáveis que tweetam sobre eleições e dados sobre a conversa eleitoral".


É importante porque...

Parte da curadoria de conteúdo eleitoral é feita pelo algoritmo, mas não fica claro exatamente quais são os critérios levados em consideração

Em outras ocasiões, Twitter já disse que selo de verificação não significa credibilidade, mas que dessa vez pode ser um indicador de fontes confiáveis


A rede social também anunciou a criação de páginas específicas para cada região, com conversas que tratam das eleições locais. Por enquanto, os Estados contemplados são: Amazonas,Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Sobre como se escolhe quais informações serão exibidas nessas abas e páginas, o Twitter escreveu em sua newsletter especial de eleições enviada na semana passada:

📧
"As informações disponibilizadas em seções e páginas especiais podem ser estruturadas de duas maneiras, sempre com base no trabalho do time de Curadoria, composto por especialistas em conteúdo com experiência em jornalismo: automaticamente a partir da identificação, via algoritmo, de Tweets de fontes confiáveis e relevantes que estão falando sobre o assunto (como é o caso do conteúdo reunido nas páginas estaduais); ou manualmente, encontrando e organizando Tweets um a um em uma narrativa mais curta e detalhada, como nos chamados Moments."

Em busca de esclarecimentos sobre como o algoritmo funciona nessa escolha de conteúdos, o Núcleo entrou em contato com o Twitter por meio da assessoria da imprensa no dia 29 de julho e enviou os seguintes questionamentos:

  • Como o algoritmo do Twitter identifica o que é fonte confiável e relevante?
  • Peço, por favor, para listarem são os critérios utilizados pelo algoritmo para definir o que é fonte confiável e relevante?
  • O selo de verificação é fator para definir o que é fonte confiável e relevante?
  • O algoritmo utiliza análise de engajamento para definir o que é fonte confiável e relevante?
  • Existe algum input humano no algoritmo para ajudar a definir o que é fonte confiável e relevante?

Em 2 de agosto, o Twitter enviou a seguinte resposta, publicada aqui na íntegra:

As páginas automatizadas com conteúdo de curadoria, como aquelas sobre as corridas eleitorais estaduais, funcionam com a ajuda de um algoritmo programado individualmente para cada página. É importante frisar que esse algoritmo é programado manualmente pelo time de Curadoria e tem como objetivo automatizar a seleção dos conteúdos, o que possibilita uma cobertura mais escalável e abrangente de temas em destaque.

Esse algoritmo tem como base uma lista de contas selecionada pela equipe de Curadoria,  composta por especialistas em conteúdo com experiência em jornalismo. Sinais como engajamento de contas ou selo de verificação podem ser levados em consideração, mas outros sinais, como o local de onde as contas Tweetam, podem ser mais relevantes.

Para encontrar os Tweets relevantes para cada página, o algoritmo cruza essa lista de autores com uma lista de expressões relevantes para cada assunto, também elaborada pelo time de Curadoria – e então destaca os conteúdos daquelas fontes que estão usando as expressões determinadas. Por exemplo, na página de eleições do Amazonas: cruzamos uma lista de veículos de imprensa e jornalistas locais com expressões relevantes para a cobertura (nomes de candidatos, expressões como "eleições", "urnas", "apuração", etc) para que o algoritmo faça a filtragem e a cobertura local.

Todas as seleções (de contas e expressões) são feitas por curadores humanos, que recebem treinamentos para buscar uma visão imparcial, relevante e confiável. Em linhas gerais, os algoritmos produzem uma cobertura ao vivo – filtram Tweets que respondem a certos comandos – a partir de parâmetros que são controlados por humanos, tanto no que diz respeito às fontes quanto às expressões – que são auditadas, revistas e atualizadas constantemente.

Embora a resposta detalhe qual é o processo do algoritmo, não fica claro quais são os sinais que são levados em consideração nessa seleção.

A empresa mencionou o selo de verificação, engajamento e local de onde as contas tuítam como indicadores que garantem a um perfil ou conta estar na lista selecionada pelos curadores, mas não fica claro como esses sinais se relacionam.

A resposta também joga luz para uma incoerência de discurso do Twitter. A empresa já disse que o selo de verificação não é um sinal de credibilidade e que apenas atesta que a conta pertence a quem ela diz ser, mas esse marcador é usado como um dos critérios na curadoria. Isso é problemático porque há contas que disseminam desinformação mas que possuem o selinho azul.

Conceder selo de verificação nas redes sociais continua uma bagunça
Os cobiçados selinhos azuis chegam a ser negados para jornalistas, mas podem ser concedidos a páginas e perfis que espalham desinformação
Texto Laís Martins e Sérgio Spagnuolo
Edição Alexandre Orrico

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