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Levantamento feito pelo InternetLab na quarta-feira (10.ago.22) aponta radicalização em canais de extrema-direita no Telegram. As mensagens analisadas também indicam uma maior organização para fugir do radar das instituições.

O relatório “Democracia digital: análise dos ecossistemas de desinformação no Telegram durante o processo eleitoral brasileiro de 2022” tem como objetivo mapear como grupos extremistas brasileiros se organizam pelo Telegram, dizem os autores.

O documento foi produzido em parceria com pesquisadores das universidades federais da Bahia e de Santa Catarina. Foram analisadas 6,4 milhões de mensagens em 156 grupos e 479 canais de Telegram entre janeiro e junho de 2022.

CONTRA AS INSTITUIÇÕES. Segundo o relatório, narrativas conspiratórias são frequentes desde janeiro e se intensificaram a partir de fevereiro. Destacam-se teorias sobre um suposto complô para fraude das eleições, além de narrativas contra o STF (Supremo Tribunal Federal) e TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Correntes pedindo que as Forças Armadas fiscalizem o processo eleitoral ao lado do TSE se intensificaram a partir de maio, afirma a pesquisa. Indicando, segundo os autores, “um possível novo ciclo de radicalização” bolsonarista.

Discursos sobre voto impresso ou auditável diminuíram a partir de junho, dando espaço para discursos de incitação a um golpe de Estado. Em contrapartida, no mesmo mês, quando o presidente Jair Bolsonaro (PL) iniciou a convocação para atos no dia 7 de Setembro, há um ponto de virada na radicalização, com o mote de "salavação da pátria".

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“DATAPOVO”. A maior parte dos grupos analisados teve enquetes e pesquisas entre as mensagens virais, diz a análise. Isso fortifica a narrativa conspiratória de fraude nas pesquisas eleitorais.

A discussão sobre a presença das Forças Armadas nas eleições também se intensificaram, com enquetes não oficiais sobre uma maior confiança da população no Exército do que no STF ou no TSE.

"VOLDEMORTING". Após o posicionamento crítico do STF sobre o Telegram, grupos e canais usaram táticas para sair do radar das instituições. Entre os métodos estão a troca de termos por códigos ou apelidos (como picada ao invés de vacina), e a mudança constante dos nomes dos chats para evitar a buscabilidade no aplicativo.

Essa estratégia é chamada de "voldemorting" por especialistas. O termo se refere ao personagem Voldermort, da série de livros e filmes Harry Potter, nos quais a comunidade bruxa evita pronunciar o nome do vilão por medo de que algo de ruim possa lhe acontecer.

É comum que os grupos e canais apaguem os conteúdos postados, de forma manual ou programada. Grupos com conteúdo preconceituoso, como antissemitismo e/ou racismo, também fazem o apagamento diário de mensagens, diz o relatório.

O relatório também aponta que existe uma organização nos disparos de mensagens, com alguns usuários fazendo disparos múltiplos em horários específicos a partir de mensagens encaminhadas repetidamente.

Reportagem Sofia Schuring e Julianna Granjeia
Edição Julianna Granjeia

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