Rede bolsonarista usou argumento de fraude eleitoral para defender nordestinos

Análise do InternetLab com tweets coletados após 1º turno sugere que defesa do voto nordestino veio de eleitor que crê em fraude eleitoral #NúcleoNasEleições

Para defender eleitores nordestinos de ataques no primeiro turno, a rede bolsonarista recorreu a alegações de fraude eleitoral, de acordo com análise realizada pelo centro de pesquisa InternetLab no Twitter em 3.out (dia seguinte ao primeiro turno das eleições).

Ao menos 19,4% dos tweets que continham os termos "nordeste",  "nordestina/o" ou outros termos potencialmente ofensivos (veja a metodologia abaixo) configuravam ofensas diretas aos moradores da região Nordeste, onde o ex-presidente Lula (PT) ganhou a maioria dos votos.

Contexto: Os votos de eleitores nordestinos deram a Lula a liderança no primeiro turno uma vantagem de 12,9 milhões de votos, segundo o UOL. Historicamente, governos petistas têm vantagem no Nordeste e, da mesma maneira, ataques a eleitores nordestinos não são uma novidade desta eleição.

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Questionamentos sobre o voto nordestino costumavam girar em torno de argumentos sobre "coronelismo" e "voto de cabresto". A análise sugere, no entanto, que em 2022 houve uma transmutação dessas narrativas.

A maior novidade, segundo a pesquisa do InternetLab, é que alguns usuários que saíram em defesa de nordestinos usaram uma possível fraude nas urnas como argumento, sugerindo que Lula, na verdade, não ganhou na região.

Pelo menos 13,4% dos tweets da amostra afirmavam que os resultados das eleições no Nordeste foram fraudados - argumento já comum na rede bolsonarista. Os argumentos utilizados variaram desde a suposta ausência de comemorações até a eleição de parlamentares alinhados ao bolsonarismo na região, o que comprovaria que Lula não teria ganho.

Um desses usuários, por exeplo, escreveu:

"Gente pare com isso, não foram os nordestinos e sim as fraudes. Tanto é que ontem não se viu ninguém comemorando por lá. Eles também estão desapontados".

"A surpresa, em 2022, foi observar que, para além de pedidos de separação do Nordeste ou da defesa de que nordestinos não sabem votar, a tentativa de proteger nordestinos por parte dos usuários se deu pelo ataque ao sistema eleitoral", disse Fernanda K. Martins, diretora do InternetLab e uma das responsáveis pela pesquisa.

Metodologia: O InternetLab coletou 150.867 tweets no dia 3.out que faziam alguma referência ao eleitorado nordestino. A coleta se deu a partir de um léxico de termos sobre a região (nordestino, nordeste, paraiba + burro, baian + burro, merdestino). Para viabilizar a análise, optou-se pela amostragem, o que resultou em 1.060 tweets. Essas publicações foram analisadas manualmente por cinco pesquisadoras.

Texto Laís Martins
Edição Julianna Granjeia

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