Cadastre-se gratuitamente nas nossas newsletters

Pesquisa da ProPublica, em parceria com o NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com a Folha de S.Paulo, revela que o Google financia 80% dos sites que publicam fake news sobre supostas fraudes eleitorais, Covid e vacinas. Esses links estão entre os mais compartilhados no Brasil em redes sociais. A pesquisa foi divulgada neste sábado (29.out).

Reportagem do Aos Fatos de setembro mostrou que o Google AdSense, popular instrumento de monetização de sites por meio de anúncios automáticos, beneficia 9 dos 10 sites hiperpartidários mais populares em grupos e canais de WhatsApp e Telegram durante as eleições.  

São veículos identificados com pautas “conservadoras”, que declaram preferência por Jair Bolsonaro (PL) e lucram com informações falsas e teorias conspiratórias sobre processo eleitoral, urnas eletrônicas as pesquisas de opinião.

A desinformação que viralizou no primeiro turno
Parceria entre Pública, Aos Fatos e Núcleo monitorou redes sociais e cerca de 2 mil grupos de Telegram e WhatsApp

PROIBIDO, MAS NEM TANTO. Sites como o Terra Brasil Notícias e Pleno News, que estão entre os mais compartilhados no WhatsApp e no Telegram, faturam com anúncios do Google em páginas com publicações que ferem as regras da própria empresa.

De acordo com a política de combate a “declarações não confiáveis e prejudiciais” do Google AdSense, a plataforma diz proibir monetização de conteúdo com "afirmações que são comprovadamente falsas e podem prejudicar a participação ou a confiança no processo eleitoral" ou "que promove afirmações nocivas à saúde ou alegações relativas a uma crise de saúde pública que contrariam o consenso científico".

TSE confirma desmonetização de Brasil Paralelo
Ministros formaram maioria para manter decisão de Benedito Gonçalves; divergência se deu em vedação à exibição de documentário sobre facada

IMPACTO. No dia do primeiro turno (2.out), o Terra Brasil Notícias foi um dos vários sites pró-Bolsonaro ameaçados de multa pelo presidente do TSE, Alexandre de Moraes, por publicar falsa associação de Lula com a facção criminosa PCC.

Segundo a análise, o número de sites de notícias com desinformação como o Terra Brasil Notícias, assim como a audiência desses portais, explodiu no Brasil em parte porque os anúncios do Google tornam mais fácil a monetização deste tipo de conteúdo.

Depois da decisão do TSE, o Terra Brasil Notícias retirou do ar a matéria. O site também excluiu uma série de publicações enganosas após a reportagem de Aos Fatos.

Entre essas falsas informações estava uma publicação que dizia que a “imprensa americana” estaria “detonando urnas eletrônicas sem voto impresso”, sem deixar claro que não se tratava de urnas usadas no sistema de votação brasileiro.

Como o bolsonarismo associou PT e PCC nas redes sociais
Entre o debate da Globo e a véspera do pleito, de quinta (29) a sábado (1º), presidente atribuiu ao petista a pecha de criminoso ao menos 34 vezes

INVESTIGAÇÃO GLOBAL. A pesquisa da ProPublica investigou como o Google ajuda a sustentar sites disseminadores de informação falsa em partes da Europa, América Latina e África.

De acordo com a análise, a situação é pior em países cujo idioma principal não é o inglês. A pesquisa usou dados de agências de checagem, pesquisadores e organizações de monitoramento e analisou mais de 13 mil páginas ativas de milhares de sites em seis idiomas para determinar se estavam ganhando dinheiro com anúncios via Google.

Em todo o mundo, segundo a pesquisa, o Google fatura cerca de US$ 200 bilhões por ano com anúncios.

Reportagem Julianna Granjeia
Edição Alexandre Orrico

GoogleEleições 2022WhatsAppTelegram
Venha para o NúcleoHub, nossa comunidade no Discord.