Um novo relatório do Center for Countering Digital Hate (CCDH) afirma que o Google faturou mais de US$ 10 milhões nos últimos dois anos com anúncios de clínicas que buscam convencer as mulheres a não fazerem aborto.
Em jun.2022, a Suprema Corte anulou o direito ao aborto nos EUA em nível federal, delegando aos estados essa regulação. Desde então, 14 estados criminalizaram o aborto e seis colocaram limites de tempo para o procedimento.
A organização conduziu sua análise por meio do SemRush, uma plataforma de análise e pesquisa de palavras-chave que auxilia no monitoramento e otimização de buscas.
RELATÓRIO. Segundo o CCDH, essas clínicas veiculam anúncios falsos no Google, fazendo-se passar por clínicas de aborto. Esses centros costumam se apresentar como instalações hospitalares, mas não são regulamentados nos EUA, o que significa que não estão sujeitos a fiscalização.
Em 1.jul.2022, o Google comunicou que apagaria históricos de localização de visitas feitas em clínicas de aborto, clínicas de reabilitação e abrigos para vítimas de violência doméstica.
Meses depois, a ProPublica revelou que sites que comercializam pílulas abortivas estavam compartilhando dados com a empresa. Essa situação poderia facilitar o trabalho das autoridades em identificar mulheres em locais onde o procedimento é proibido.
O relatório também revela que as empresas de marketing estão colaborando com essas clínicas através da manipulação de mecanismos de busca via SEO e da aquisição de anúncios com palavras-chave relacionadas ao aborto. Essas empresas ofereceriam serviços que auxiliam as clínicas a obter concessões de anúncios do Google e implementar estratégias de marketing.
O objetivo, dizem os pesquisadores, seria assegurar que anúncios antiaborto sejam exibidos junto a informações confiáveis sobre saúde reprodutiva.
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