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O Instagram está exibindo anúncios com a venda de substâncias ilícitas, cartões de crédito furtados, contas invadidas, dinheiro falsificado e armas para seus usuários nos Estados Unidos.

Uma reportagem da 404media, um novo veículo de notícias de tecnologia fundado por ex-jornalistas da VICE, informa que a maioria desses anúncios está diretamente vinculada a contas no Telegram, onde é possível adquirir drogas ou serviços ilegais.

O veículo identificou um total de 55 desses canais no Telegram por meio de anúncios no Instagram.

ENTENDA. Alguns desses anúncios também encaminham para contas do Linktree ou para os próprios sites dos usuários que estão divulgando esses serviços.

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POR EXEMPLO. Um anúncio destacado pelo artigo levou a um grupo no Telegram com 78 mil membros, onde estava à venda uma suposta “brecha” no aplicativo semelhante ao PicPay nos EUA, o CashApp, por US$ 200 em Bitcoin.

A conta do Instagram vinculada ao anúncio estava ligada a um site que vendia logins roubados e ferramentas de hacking, incluindo acesso a contas bancárias e serviços dos EUA, além de contas “verificadas” no Instagram e senhas para serviços de streaming.

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ESPECIALISTAS. Karan Lala, do Integrity Institute, um centro fundado por ex-membros da equipe de integridade do Facebook, informou que:

“Já que o dano ocorre fora da plataforma — através de um link para outro local — isso sugere que a Meta não possui a capacidade de conduzir análises detalhadas dos links e requisitar dados do Telegram para identificar os usuários”.

POLÍTICAS. Os Padrões de Publicidade da Meta proíbem anúncios que promovam “Substâncias perigosas”, o que inclui drogas recreativas e ilegais, bem como “Armas, munições ou explosivos”.

A política estabelece que as publicidades “não devem encorajar, facilitar ou promover produtos, serviços ou atividades ilegais”, o que claramente contrapõe os anúncios para perfis roubados e outras atividades criminosas.

MODERAÇÃO. Em 2022, um estudo conjunto entre a Global Witness e a Cybersecurity for Democracy da Universidade de Nova York mostrou que “o Facebook não percebeu ou simplesmente ignorou ameaças de morte a trabalhadores eleitorais” em uma série de anúncios de teste enviados à plataforma.

  • Nos últimos meses, a Meta dispensou mais de 21 mil funcionários, o que também afetou as equipes de moderação de conteúdo.

OUTRO LADO. Um representante da Meta informou à 404media que “a prevalência de conteúdo que viola nossa Política de Bens e Serviços Restritos é de cerca de 0,05% do conteúdo visualizado no Facebook e no Instagram. Em outras palavras, de cada 10.000 visualizações de conteúdo no Facebook e no Instagram, estimamos que não mais do que 5 dessas visualizações continham conteúdo que violava essa política”.

Além disso, o representante acrescentou que “visualizações de conteúdo em violação a essas políticas são muito raras e removemos a maior parte desse conteúdo antes que as pessoas o vejam.”

Via 404media (em inglês)

Texto Sofia Schurig
Edição Alexandre Orrico

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