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Usuários do X (antigo Twitter) desmascararam, com o recurso de Notas de Comunidade, anúncios da Philip Morris que defendem a liberação do cigarro eletrônico.

As publis não deixavam claro que a fumageira norte-americana estava patrocinando a campanha, batizada de "Quero Escolher". As notas de tuiteiros ressaltaram o conflito de interesses.

Anúncio da Philip Morris engana ao sugerir que cigarros eletrônicos podem ser benéficos a fumantes. Crédito: Reprodução/X

LOBBY. A página da campanha no X orienta usuários a se manifestarem contra a proibição do vape em uma consulta pública aberta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que analisa uma proposta de manutenção da restrição a esse tipo de dispositivo no país, por conta dos riscos que causa à saúde.

SOB MEDIDA. O perfil da "Quero Escolher" no X/Twitter foi criado dias após o lançamento da consulta, em dez.2023. No site da campanha, a Philip Morris dá um passo a passo de como se manifestar e sugere ao usuário o preenchimento de opiniões prontas sobre supostos "impactos negativos" da proposta da agência.

Objetivo da campanha é mobilizar usuários contra resolução da Anvisa em fase de consulta pública. Crédito: Reprodução/X.

INTERESSES. Com diversas patentes de cigarros eletrônicos registradas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), a Philip Morris é grande interessada no mercado desse tipo de dispositivos no país.

Ao contrário do que diz a indústria do fumo, vapes têm atraído mais jovens ao tabagismo, não tratam o vício e costumam ser usados de forma concomitante aos cigarros tradicionais.

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POSICIONAMENTO. Após a publicação da reportagem, a Philip Morris Brasil nos enviou uma resposta sobre o caso:

“O website queroescolher.com identifica que é uma campanha da Philip Morris Brasil. O objetivo é noticiar o debate da regulamentação de alternativas ao cigarro convencional, disponíveis em 80 países do mundo, bem como apresentar informações sobre a categoria aos adultos fumantes. A empresa reforça que sempre atuou em respeito as determinações dos órgãos reguladores.”


⚠️ Texto atualizado às 11h42 de 09.fev.2024 para inserir o posicionamento da Philip Morris Brasil sobre o caso.

Por Pedro Nakamura
Edição Sérgio Spagnuolo
Twitter/X
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