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Bom dia! Aqui é a Meghie Rodrigues e hoje trago a CENTÉSIMA edição da nossa querida newsletter – já são 10.162 inscritos que toda semana ficam por dentro dos debates de ciência nas redes sociais! 🎉 🎉 🎉

Hoje vamos falar de COP28, de uma nova plataforma para visualização de dados de vacinação no Brasil, e duas aprovações em Brasília pra lá de controversas. Na nota do convidado, temos a honra de trazer a Luiza Caires, a primeiríssima redatora do Polígono, refletindo sobre divulgação científica na internet — que mudou demais desde que a news começou. ❤️ Bora?

BÔNUS: E ainda tem uma mensagem de uma leitora querida!

A gente agradece, Flávia! 😍

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Devido a uma atualização em nossos servidores, essa edição sai excepcionalmente na quarta-feira (6.dez)

Os esqueletos no armário do Brasil em Dubai
Semana passada começou a COP28 em Dubai, nos Emirados Árabes. A ciência é clara: para evitar os piores efeitos das mudanças climáticas, é preciso frear a produção e o uso de combustíveis fósseis o quanto antes. Só no ano passado, a mudança do clima causou US$ 1,5 trilhão em prejuízos econômicos mundo afora. O Brasil chegou querendo retomar seu protagonismo na discussão, mas a provável entrada para a OPEP+ nos rendeu o troféu ‘Fóssil do Dia’ 🥲. Vale acompanhar o evento e suas contradições com atenção.

Chegou em muito boa hora
Ontem o Instituto Questão de Ciência (IQC), em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), lançou a plataforma VacinaBR, uma ferramenta que gera mapas, gráficos e tabelas referentes às taxas de vacinação no Brasil desde o ano 2000. A plataforma facilita muito o acesso a dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e promete ser uma mão na roda não apenas para gestores públicos (e jornalistas!), mas também a toda pessoa interessada em saber como andam as taxas de vacinação na sua região. A plataforma é facinha de usar, dá uma olhada lá: iqc.org.br/observatorio/vacinabr/ 

De olho na pesquisa em seres humanos
Semana passada a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que regulamenta pesquisas em seres humanos no país. O PL agora volta ao Senado para votação. Entre as regras, está a garantia de anonimato e a exigência de autorização expressa dos participantes. Por outro lado, o projeto estabelece um prazo de 90 dias para análise sanitária relacionada às petições primárias de ensaios clínicos com seres humanos para registro do medicamento. Governistas e oposição não concordam em muitos pontos e ainda tem muita água para passar debaixo dessa ponte. 👀

Mercadores de sangue
O Senado aprovou uma proposta de emenda constitucional que prevê permissão ao setor privado para explorar o plasma humano. A Constituição hoje proíbe o comércio de órgãos, tecidos e substâncias humanas. Segundo apurou a Agência Pública, a PEC começou a tramitar no Senado depois de um estudo feito por big pharmas estrangeiras. Elas concluíram que o plasma brasileiro poderia ser mais lucrativo por durar e render mais que o de europeus. Vale ler esse ótimo fio da Leila Germano para entender o que está em jogo com a proposta (que, aliás, a Fiocruz é contra). 

👀
VOCÊ VIU?

* Explicado de onde veio a inspiração para aquele jogo da cobrinha 🐍
* Ainda nem li o livro novo do Bernardo Esteves mas já tô indicando. Certeza que não tenho risco de queimar a língua! 👅
* Esse adaptador é genial. Só não tentem fazer isso em casa 😂
* Que interessantíssima essa visualização de rochas no fundo dos oceanos! 🙀
* E a Beatriz Hörmanseder que achou fósseis numa boate em BH? 💃
* Para os fãs de Led Zeppelin: o Robert Plant também está na COP28, sabiam? ❤️
* E a Braskem, responsável pelo afundamento em curso de parte de Maceió, cancelou sua participação na COP. 👀

🤵‍♀️ Nota do convidado

Maratonistas sem rumo?

Luiza Caires é editora de Ciências do Jornal da USP e divulgadora científica, e foi a primeira redatora do Polígono

É preciso ter claro o que se quer quando fazemos divulgação científica. Os objetivos não podem envolver uma ferramenta específica, e ainda valerem quando mudarem os formatos. Serem possíveis de perseguir apesar da impermanência das tecnologias.

Ao ter mais nítido onde queremos chegar, podemos fazer paradas e nos perguntar se o caminho escolhido realmente contempla os valores que buscamos. 

Me dá um exemplo?

Será que o formato “fact checking científico” é o melhor ou só um dos possíveis, e sua linguagem persuasiva também esbarra em limites, podendo afetar de formas não planejadas a percepção pública da ciência?

Outro ponto: adotar as armas que costumávamos criticar, como click baits, engaja mais o público em temas científicos. Mas e se também trouxer algum efeito colateral, como reforçar estereótipos?

Um cientista não pode só produzir ciência sem parar para discutir o processo, determinantes e limitadores, como o sistema de financiamento, publicação e disputas políticas. Comunicadores de ciência, por sua vez, não podem se contentar em disparar uma metralhadora de fatos, fios e reels, sem refletir sobre os porquês e os comos do que estão fazendo.

Para responder às perguntas que surgem existe todo um campo que estuda a comunicação. Mas fora da academia há uma crítica de mídia e meios pensando problemas atuais. Um exemplo são as reportagens do Núcleo, mostrando os bastidores e disputas no mundo das plataformas. Falar de ciência num espaço como o Núcleo hoje ganha ainda mais sentido pensando nisso.

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