Zero choque, mas muito desgosto

Bom dia! Aqui é a Meghie Rodrigues, acompanhando a tragédia no Rio Grande do Sul desde o Velho Continente.
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Bom dia! Aqui é a Meghie Rodrigues, acompanhando a tragédia no Rio Grande do Sul desde o Velho Continente. Com absolutamente zero choque mas muito desgosto por termos chegado a essa situação — para qual cientistas vinham alertando há anos. Será que os governantes pensam que a *sorte* vai nos salvar do que os modelos climáticos preveem?! Enfim. Hoje trago mais notícias das enchentes no Sul e de auroras espetaculares. Na nota do convidado, Carlos Hotta fala sobre o programa de repatriação de cientistas do governo federal — e o que realmente funcionaria para trazê-los de volta. Vamos lá?


De encher os olhos
Uma forte tempestade solar (pontuou quatro numa escala que vai até cinco) que atingiu a Terra neste fim de semana gerou imagens espetaculares nos hemisférios norte e sul, mas principalmente no norte. Pessoas na Inglaterra, Itália, Noruega e outros locais registraram imagens belíssimas da aurora boreal. Quem estava no sul da Argentina e na Tasmania também deve ter visto a aurora austral. 

Desastre e desinformação
As enchentes no sul têm sido campo fértil para quem lucra com desinformação e checadores de fatos, não à toa, estão exaustos. A extrema-direita está investindo pesado em desacreditar instituições e em gerar o caos — o que atrapalha muito as operações de resgate. Mais do que nunca, precisamos dar palco e atenção a gente séria que acompanha o assunto e sabe do que está falando. Cuidado com postagens que geram sentimentos fortes!

Bloqueada
É bom lembrar também que, enquanto o RS afoga, uma série de medidas anti-ambientais avança no congresso nacional. A cantora Anitta deu o recado ("os políticos que atacam a natureza… não podem mais ser eleitos, gente"), e foi marcar o presidente da Câmara Arthur Lira, mas não conseguiu porque é bloqueada por ele nas redes sociais. Importantíssimo ajudar em curto prazo mas, mais do que isso, escolher bem em quem vamos votar para pensar (e agir) no longo prazo

👁️
Você viu?

* Esse (horrível) soneto negacionista.
* No começo de todo filme de desastre
* O ícone do aquecimento global foi atualizado.
* Por que choveu tanto no RS?"
* Doidinhos pra conhecer Marte". 😅
* Como consumir água nas regiões alagadas.
* Por dentro de um buraco negro.
* Não basta enchente, tem que destruir aldeia também. 😵‍💫
* Em abril, mais um recorde de temperatura.
* Opiniões impopulares, mas muito sensatas.
* Alagamentos no Sul hoje, secas no Sudeste amanhã.
* Baterias elétricas estão evoluindo!

Nota do convidado

Muito barulho por nada?

Por Carlos Hotta, professor associado do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo

O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) anunciou neste ano uma iniciativa para repatriar 1.000 cientistas brasileiros, em uma tentativa de diminuir a fuga de cérebro dos últimos anos.

Estima-se que algo entre 3 mil a 35 mil pesquisadores brasileiros estão no exterior. São previstos R$1 bilhão nos próximos cinco anos, provenientes do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

A proposta é atraente: cada pesquisador repatriado receberá uma bolsa compatível com o salário de um professor universitário de início de carreira, além de ajudas de custo e recursos para um projeto de pesquisa.

Apesar disso, o programa está sendo duramente criticado, principalmente por não haver recursos semelhantes para apoiar as pesquisas de cientistas que estão em território nacional. Formamos cerca de 20 mil doutores por ano e não há programa que os absorva de forma significativa.

Além disso, não há planos para incorporar os pesquisadores repatriados após a duração deste programa e, portanto, seu destino deve ser deixar novamente o país.

Por fim, o anúncio deste programa coincide com a greve de professores e servidores de diversas universidades federais exatamente por causa da falta de recursos federais para as suas atividades de ensino e pesquisa.

O governo diz que este é apenas um dos programas que deve divulgar neste ano. No entanto, sabemos que o que repatria pesquisadores são investimentos no longo prazo, mais concursos, concursos mais acessíveis e salários competitivos. Somente assim pesquisadores se sentirão seguros a voltar a acreditar na ciência do país.

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