JOGO RÁPIDO

Anúncios de tratamentos sem comprovação para covid-19 ainda podem ser impulsionados no Facebook

Rede social vai rotular conteúdos que promovam tratamentos sem comprovação científica, mas usuários ainda conseguem impulsionar anúncios desse tipo

Publicado em 23/04/2021 11:54
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Reportagem Laís Martins
Edição Sérgio Spagnuolo


Palavras: 434

Tags: Facebook, Anúncios publicitários, Kit-covid, Covid-19, Pandemia

O Núcleo fez pesquisas por palavras-chave na Biblioteca de Anúncios do Facebook por 'cloroquina' e 'ivermectina', no Brasil. Ao encontrar resultados, pediu esclarecimentos à rede social.




Usuários ainda conseguem impulsionar posts que contém as palavras “cloroquina” e “ivermectina’’ no Facebook se assim desejarem.

Entre 1º de janeiro e 17 de abril de 2021, o Núcleo identificou mais de 160 anúncios pagos na Biblioteca de Anúncios da rede mencionando os medicamentos que, mesmo sem embasamento científico, foram difundidos pelo governo federal como parte do “tratamento precoce”.

Nem todos os anúncios que a busca na biblioteca retorna defendem os medicamentos como tratamento para o coronavírus. Alguns, inclusive, são críticos ao “tratamento precoce” e à estratégia de combate à pandemia do governo federal. Há ainda um terceiro tipo de post que não fala sobre os medicamentos - nem de maneira crítica ou elogiosa - mas traz um dos termos nas hashtags ao fim do texto na publicação.

Esses tipos de anúncios não são novidade. Em janeiro, o site de checagem Aos Fatos mostrou que anúncios desse tipo receberam pelo menos 3,9 milhões de visualizações em 2020. Buscando por termos como cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e ozonioterapia, o Aos Fatos encontrou 273 publicações que tiveram impulsionamento pago.

Questionado pelo Núcleo, o Facebook esclareceu que removeu alguns anúncios enviados pela reportagem que ferissem os Padrões da Comunidade ou as Políticas de Publicidade do Facebook. Mesmo conteúdos sancionados pelo Facebook continuam sendo exibidos na Biblioteca de Anúncios por questão de transparência, mas trazem uma marcação indicando a ação da rede.

“Não permitimos anúncios com a venda de medicamentos que necessitam de prescrição médica, assim como proibimos o anúncio de qualquer produto, serviço ou tratamento que garanta a cura, prevenção ou imunidade contra a COVID-19. Além disso, conteúdos marcados como falsos pelos nossos parceiros de checagem de fatos não podem ser impulsionados. Sabemos que a aplicação das nossas políticas não é perfeita, mas está em constante aprimoramento”, disse a rede social por meio de porta-voz.

Os anúncios ativos contrastam com a decisão do Facebook anunciada em meados de abril de adicionar rótulos a conteúdos sobre tratamentos sem comprovação científica.

Os rótulos, que devem ser implementados nas próximas semanas, segundo o anúncio da empresa, dizem: “Alguns tratamentos COVID-19 não aprovados podem causar danos graves”. A rotulagem também se dá após agências checadoras sinalizarem conteúdos como falsos, o que leva também o Facebook a reduzir o alcance de tais publicações.


É importante porque…

  • Mais de um ano após o início da pandemia, já se sabe que esse tipo de tratamento traz mais danos do que benefícios para a saúde.

  • Anúncios que tratam de métodos não comprovados têm sido questionados por especialistas e pela imprensa.


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