O fantasma da poliomielite assombra novamente

Menos mal que, nas redes, as campanhas de vacinação estão com tudo

Receba de graça a newsletter Polígono


Como velhos fantasmas, a poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, voltou a assombrar nossas portas.

Responsável por 26 mil casos no Brasil, entre 1968 e 1989, essa doença causada por poliovírus já era história passada graças às campanhas de vacinação e altas coberturas vacinais, além de políticas para o enfrentamento e monitoramento desse agente infeccioso.

Tanto que, em 1994, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) declarou o território nacional "livre" da polio.

Porém, casos de polio estão voltando, inclusive em cidades onde há décadas não registravam novos casos. Em Nova Iorque (EUA), por exemplo, um caso foi noticiado em um homem jovem não vacinado contra a polio.

O caso não passou despercebido por especialistas daqui, como Paulo Lotufo, médico epidemiologista e professor de medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Vírus até no esgoto

Nesse caso específico de Nova Iorque, também chamou a atenção o fato de o vírus ter sido identificado até nos esgotos da cidade.

A médica epidemiologista e vice-presidente do Sabin Vaccine Institute, Denise Garrett, fez uma thread explicando por que isso acontece. E reforçou que pessoas vacinadas não transmitem o vírus.

O risco da volta dos que já se foram

O caso americano evidencia as consequências da baixa adesão à vacinação, o que tem ressuscitado riscos e medos do retorno de doenças conhecidas que podem ser evitadas com vacinas, e colocado especialistas de diversos países em alerta.

Um deles é  o médico geneticista Salmo Raskin, que enxerga o risco de um possível retorno da polio no Brasil.

Por aqui, baixas coberturas vacinais contra a polio e outras doenças têm sido vistas desde 2015. E em pouco tempo depois disso, em 2019, a cobertura vacinal para a polio já estava em patamares baixíssimos – 84,2%.

No ano passado, esse valor caiu para 67,7%, como apontou o médico e comentarista, Luis Correia.

Quem poderá nos ajudar?

Mais uma vez elas: as vacinas!

Denise Garrett reforçou o quanto a vacinação é a principal estrela no enfrentamento de doenças como a polio. E  lembrou que as vacinas atuam também sobre o controle de outros agentes infecciosos, como sarampo, difteria, tétano, coqueluche e cachumba, por exemplo.

Em uma situação de risco de reintrodução de doenças conhecidas – e evitáveis com vacina – diversas campanhas vêm ganhando palco para conscientizar a população da importância da vacinação, da atualização da caderneta de vacinas, além da criação de estratégias para operacionalizar e viabilizar a retomada dessas altas coberturas vacinais no Brasil.

É o caso da campanha VACINA+MAIS, iniciativa da OPAS, dos conselhos de saúde, como o Conselho Nacional de Saúde (CNS), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), além do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), compartilhada pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) em sua rede social.

No dia 8 de agosto, o Ministério da Saúde também lançou a campanha de multivacinação:

A notícia foi compartilhada por vários especialistas, jornalistas e perfis da imprensa em suas redes sociais.

Não deixe de vacinar as crianças e adolescentes nesse momento tão importante. Atualize a caderneta de vacinação no posto mais próximo, para garantirmos que o que esteve no passado, permaneça por lá e não volte a nos incomodar mais.


Faça parte da conversa

Apoie o Núcleo para publicar seu comentário, reagir à matéria e participar da conversa. Caso já seja apoiador ou apoiadora, faça login abaixo sem senha, usando apenas seu email.


Veja nossas publicações abertas

Você se inscreveu no Núcleo Jornalismo
Legal ter você de volta! Seu login está feito.
Ótimo! Você se inscreveu com sucesso.
Seu link expirou
Sucesso! Veja seu email para o link mágico de login. Não é preciso senha.
Por favor digite ao menos 3 caracteres 0 Resultados da busca