Tudo o que você precisa saber sobre a varíola dos macacos

Transmissão, sintomas, prevenção, vacinas... Um compilado sobre essa infecção que não é considerada sexualmente transmissível

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Em julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o estado de Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional (PHEIC, sigla em inglês) para a varíola símia – mais conhecida como varíola dos macacos ou monkeypox.

Uma PHEIC é “um evento extraordinário determinado a constituir um risco para a saúde pública de outros Estados através da propagação internacional de uma doença e potencialmente requerer uma resposta internacional coordenada”.

Atualmente, mais de 18 mil casos de monkeypox foram relatados em 79 países, concentrando a maioria deles na Europa, seguido pelas Américas.      

Sintomas para ficar atento

Apesar de pertencerem a mesma família, o vírus monkeypox pode ter uma apresentação de sintomas um pouco diferente da varíola humana (smallpox).

A biomédica e virologista Lorena Chaves apontou alguns sintomas para ficarmos atentos.

Transmissão que vai além do contato sexual

Diante das evidências que temos até o momento, o contato próximo e prolongado parece ser a principal via de transmissão humano para humano.

Devemos ter muita cautela com superfícies e objetos, as quais podem trazer riscos de exposição, caso contaminados (mesas, cadeiras, banheiros públicos).

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (EUA),  o contato direto com lesões cutâneas, fluidos corporais e/ou secreções respiratórias (como gotículas) de pessoas infectadas também contribuem para a transmissão da doença.

Porém, algo que tem gerado muita discussão nas redes sociais é a transmissão sexual.

Apesar de estarmos vendo um aumento da transmissão do monkeypox em algumas populações específicas, a editora-chefe do Portal Drauzio Varella, Mariana Varella, reforçou um aspecto importante: jamais devemos estigmatizar populações por conta de doenças ou condições que a acometem.

Infelizmente, o Brasil não só já apresenta casos de monkeypox em crianças, como também já temos óbitos por essa doença registrados no país, fato que ganhou os noticiários do mundo.

Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise, comentou a situação do cenário brasileiro com a monkeypox, destacando também o crescimento de casos nas Américas.

A melhor forma de se proteger é evitar riscos

Quem fez observações importantes sobre a prevenção da varíola dos macacos foi o médico infectologista Vinicius Borges, reforçando que a monkeypox não deve ser considerada, nesse momento, como uma infecção sexualmente transmissível (IST), por justamente ter outros meios de transmissão.

Abaixo, temos uma tabela com a classificação de riscos para a transmissão do vírus.

Se tu teves contato com alguém positivo para o vírus monkeypox, algumas recomendações podem ser adotadas de acordo com o risco de contaminação, com algumas dicas de como proceder.

E a vacina, quando vem?

Atualmente, existem dois tipos de vacinas que poderiam ser usadas para reduzir os riscos da doença gerada pelo vírus monkeypox: a JYNNEOS (de vírus atenuado, não replicante) e a ACAM2000 – vaccinia virus.

Ao contrário da anterior, a ACAM2000 é replicante e não é indicada para imunossuprimidos.

A epidemiologista Denise Garrett explicou as tecnologias e como funcionam aplicações das duas.  

Mas a grande questão é: teremos vacinas no Brasil? Quando?

Segundo o presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS), Nésio Fernandes, isso pode levar um tempo.

A previsão é de que possivelmente algumas vacinas cheguem no país ainda esse ano, em setembro.

Em decorrência do número de doses, é possível que essas vacinas sejam destinadas às populações de maior risco de exposição/doença grave.

Em alguns países, a estratégia de ring vaccination, está sendo adotada.

E tudo isso não foi por falta de aviso...

E não foi mesmo. Segundo a reportagem da NPR, compartilhada pelo médico Ricardo Parolin, um surto de monkeypox observado na Nigéria já trazia indicativos que estávamos lidando com um vírus um pouco diferente do que esperávamos.

Na reportagem, o médico e professor Dimie Ogoina esclareceu que alguns pacientes não se encaixavam no perfil de pacientes que eram diagnosticados com monkeypox, como, por exemplo, pessoas que mantinham contato com animais que poderiam estar infectados.

Ele observou manifestações das lesões de pele próximo das genitálias, sugerindo uma possível via de transmissão por contato sexual. Ainda em 2017, os achados estavam disponíveis na revista científica PLoS One.

O fato é que o vírus monkeypox circulava de forma endêmica em alguns países da África há anos, mas começou a chamar a atenção quando passou a circular em países de alta renda com populações predominantemente brancas, notou Denise Garret.

A questão que fica é: até quando ignoraremos avisos ou negligenciaremos doenças que afetam países de média/baixa renda?

Dependendo da resposta, poderemos seguir vendo a emergência de conhecidos e novos agentes infecciosos nos próximos anos.


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