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Bom dia! Aqui é a Chloé Pinheiro. Nas últimas semanas, vimos novamente cientistas serem atacados nas redes sociais por defenderem o óbvio (no caso, que as vacinas da Covid-19 funcionam). Até o Elon Musk está envolvido nessa cruzada contra a ciência. Na nota do convidado, a climatóloga Karina Lima discute a relação entre as mudanças climáticas e o ciclone que fez estragos em terras gaúchas. Este é o Polígono desta terça, 27/06/2023. 


Ataque anticiência 
O médico norte-americano Peter Hotez esteve no Brasil recentemente para palestrar no Congresso Unidos Pela Saúde. Um dos maiores especialistas em movimento antivacina do mundo, Hotez agora tem alertado sobre os perigos do movimento anticiência, que ele chama (com razão) de “força assassina”. 

Debate? 
Na pandemia, Hotez desenvolveu vacinas pediátricas da Covid para serem distribuídas em países pobres, sem ganhar nada da “big pharma”. E agora está sendo desafiado por integrantes do movimento anticiência a debater sobre os imunizantes, e atacado inclusive por Elon Musk. Ele se nega, com o apoio de outros cientistas do mundo.

Terremoto em São Paulo?
A região Sudeste do estado registrou em meados de junho um tremor que assustou a população. Muita gente falou em terremoto, mas, nesse belo fio, a geógrafa Pascuotte explica que o termo só deve ser usado quando há grandes impactos, como deslizamentos de terra. 

E ciclone no Rio Grande do Sul 
Também teve, nas últimas semanas, uma sequência de fortes chuvas e um ciclone extratropical no Rio Grande do Sul, com 16 mortos. Como nossa convidada Karina Lima explica na nota mais abaixo, as mudanças climáticas podem sim ter a ver com isso, apesar desse evento ser comum na região na época do ano. Vale dizer que o mar gaúcho (como quase todos os outros) está mais quente.

As primeiras estrelas
A Roberta Duarte destacou uma notícia importante do mundinho astronômico: o telescópio James Webb pode ter encontrado as primeiras estrelas do Universo. Ainda não é certeza, mas o achado ajudaria a responder perguntas importantes, como a formação de buracos negros supermassivos e a origem dos elementos químicos.

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Você viu?

* Estamos em época de aumento de doenças respiratórias. Nesse fio, a Mellanie Fontes-Dutra explica porque vemos tanta gente doente agora.

* Mão dada é coisa do passado. A moda agora é dar o bico.

* Imagens impressionantes de um robô minúsculo que consegue andar pelo corpo e se auto aquecer para destruir células cancerígenas ou parar sangramentos.

* Um ótimo texto, cheio de dados, escrito por uma oceanógrafa sobre o desastre do submersível Titan.

* Não coloque seu travesseiro no sol! Mas a meia-calça pode ir pro freezer para desfiar menos.

* Em um comportamento completamente atípico, um veado foi flagrado comendo uma cobra. Alô, veterinários e biólogos de plantão, alguém pode me explicar?

Nota do convidado

O ciclone e as mudanças climáticas

Por Karina Bruno Lima, doutoranda em Geografia na área de Climatologia pela UFRGS e divulgadora científica

Um ciclone extratropical desencadeou diversos desastres na Região Sul do Brasil. Esse tipo de evento é comum ao longo da costa do Sul e Sudeste, especialmente durante o outono e inverno, e pode ocasionar muita chuva e fortes ventos, dependendo de sua intensidade e proximidade com o continente. Mas o fato de serem comuns não exclui a relação com as mudanças climáticas. 

Estudos são necessários para afirmar se este fenômeno específico foi facilitado ou tornado mais intenso devido às mudanças climáticas. Mas há outra afirmação que podemos fazer desde já: o aquecimento global está influenciando o ciclo hidrológico (da chuva e da troca contínua de água entre solo e atmosfera). 

Quanto mais quente a atmosfera se torna, mais umidade ela pode reter - cerca de 7% de acréscimo na retenção para cada 1°C de aumento na temperatura. Logo, tem mais capacidade para eventos severos relacionados a chuvas intensas. 

Em escala regional, a taxa pode variar, mas essa quantidade maior de vapor d'água leva a maiores extremos de precipitação de forma geral ao redor do planeta. Estudos projetam que a frequência de ciclones extratropicais deve diminuir em escala global. No entanto, espera-se que se tornem mais destrutivos, com um aumento no número dos que excedem limites históricos de intensidade.

Mesmo antes de um estudo de atribuição para cada evento extremo, é importante entender que o aquecimento global provocado pelo homem já está impactando no clima. Ao reconhecermos o aspecto central dessa questão e seu impacto em todas as outras áreas, poderemos atribuir a devida importância à mitigação e também à adaptação às mudanças climáticas - e nesse ponto o planejamento público desempenha um papel fundamental.

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