Ninguém tava pensando nisso

Começamos a semana com a ótima notícia de que uma cientista foi eleita presidente do México. Bom pra variar um pouco, né? Mas não se anima muito: trazemos também o mico de um jornalista brasileiro, o calorão na Índia e a gripe aviária nos Estados Unidos.
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Bom dia! Começamos a semana com a ótima notícia de que uma cientista foi eleita presidente do México. Bom pra variar um pouco, né? Mas não se anima muito: trazemos também o mico de um jornalista brasileiro, o calorão na Índia e a gripe aviária nos Estados Unidos. Na nota do convidado, a nutricionista Raquel Canuto fala de seus estudos sobre a relação entre obesidade e racismo. 


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Puxão de orelha
Na última edição, nós mencionamos a descoberta de um planeta potencialmente habitável. A nota foi intitulada “Uma nova Terra?”, e por isso o leitor João Bueno puxou nossa orelha. É que colocar as coisas nesses termos pode dar a impressão de que temos um plano B, outro planeta habitável, então podemos destruir o nosso. Ele apontou ainda o fato de a imprensa sempre cobrir os exoplanetas de maneira sensacionalista. Agradecemos pelo toque! E só pra reforçar: essa Terra aqui não tem backup não, viu? 

¡Viva México! 
A cientista Claudia Sheinbaum foi eleita a primeira mulher presidente do México. Foi a eleição com maior participação popular da história do país. Ela é física, tem doutorado em Engenharia Ambiental e é uma das autoras de dois relatórios do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC). O mundo aguarda atento seus próximos movimentos à frente de um país que vive de petróleo

Que mico 
O jornalista Tulio Milman cometeu uma coluna no site da rádio Gaúcha reclamando do “bombardeio” a qual os governantes gaúchos estão sendo submetidos por não terem preparado o estado para as mudanças climáticas. “Como se eles tivessem o dever de pensar em um tema sobre o qual quase ninguém pensava". Parece uma piada. Mas só pra esclarecer: tinha muita gente pensando nisso. 

Anomalia magnética 
Nas últimas semanas, a notícia de que uma anomalia magnética localizada no Brasil estava crescendo repercutiu de um jeito meio apocalíptico nas redes. Mas é como diz a Laerte: CALMA, gente. De fato, a anomalia está crescendo e pode trazer algumas repercussões na nossa vida, tanto que está sendo monitorada pelos cientistas. Só que ela está por aí há 500 anos e as consequências da sua existência não implicam em risco imediato para nós. 

Clima no fim do mundo 
A Índia registrou temperaturas acima dos 50 graus, as maiores de sua história. Mais de cem pessoas morreram, uma situação sem precedentes até para o país asiático, conhecido por ser quente. Além disso, ontem teve enchente no sul da Alemanha, e as cenas nos fizeram lembrar do Rio Grande do Sul, com a diferença que os jornais de lá não pagaram esse mico. 

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Você viu?

* Cação é tubarão, sabia? 🦈 E isso faz do Brasil o maior consumidor de carne de tubarão do mundo.
* Um estudo mostrou que as mudanças climáticas dobraram a probabilidade da tragédia no Sul ocorrer.
* A gripe aviária já contaminou 3 pessoas nos Estados Unidos. O país já começou a fazer vacinas
* Fósseis de bactérias de 1,9 milhão de anos atrás mostram que elas já usavam minerais para fabricar as próprias “bússolas”, um achado com dedo de brasileiro.
* Como flagrar imagens geradas por inteligência artificial na astronomia
* Por que as pirâmides ficam tão longe do Nilo? 
* Estudar Física não serve pra nada? Repense.
* O rosto da morte ou uma montanha normal

Nota do convidado

O papel do racismo na obesidade
Por Raquel Canuto, professora do Departamento de Nutrição e do Programa de Pós-graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 

Diversas pesquisas em nível nacional têm denunciado que as mulheres negras são o grupo com maior prevalência de obesidade no Brasil. Mas por quê? Quais são os mecanismos causais? É isso que o nosso grupo de pesquisa vem tentando compreender por meio de uma série de estudos. 

No final de abril, um dos nossos artigos, publicado na revista Public Health Nutrition, ganhou atenção na mídia e nas redes sociais. O estudo investigou a relação entre ter experiênciado discriminação racial durante a vida, o consumo alimentar e a ocorrência de obesidade. O trabalho foi conduzido com adultos de Porto Alegre. 

O principal resultado foi a associação positiva entre a experiência de discriminação racial e obesidade (geral e abdominal), independente das pessoas terem uma alimentação mais saudável ou menos saudável.

Essa relação pode ser explicada por meio das alterações neurofisiológicas causadas pelo estresse crônico - que é conviver com a discriminação racial diariamente. Tais mudanças podem potencializar o acúmulo de tecido adiposo, principalmente, na regiões da cintura, mesmo sem alterações na alimentação. 

Ao mesmo tempo que o estudo ganhou atenção da mídia, fomos vítimas de uma série de ataques nas redes sociais, tentando deslegitimar o trabalho. Isso mostra como o Brasil é um país racista e como precisamos incorporar e financiar pesquisas que aprofundem a compreensão de como o racismo faz mal à saúde.

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