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Após 11 meses de governo Lula, o Ministério da Saúde finalmente vai lançar um programa de combate à desinformação sobre vacinas nas redes sociais, fazendo parceria com plataformas para redirecionar usuários para informações confiáveis.

Por conta do acentuado negacionismo vacinal promovido na era Bolsonaro, esperava-se que o atual governo teria um programa contra desinformação logo no início do mandato, especialmente após o lançamento do Movimento Nacional pela Vacinação, o que não aconteceu.

O lançamento do programa acontece em meio a uma queda na cobertura vacinal no país desde 2017, especialmente nos últimos dois anos – algo que especialistas e autoridades associam, em boa parte, a mentiras difundidas sobre o imunizante para Covid-19.

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DESINFO BOMBANDO. Somente entre julho e setembro deste ano, o MS identificou 6,8 mil conteúdos mentirosos sobre vacinas publicados nas redes sociais. Cerca de 23,3 milhões de usuários foram impactados, segundo dados divulgados no lançamento do programa.

ADERÊNCIA. O programa “Saúde com Ciência” foi lançado na terça-feira (24.out), em conjunto com a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom-PR) e conta com a participação de Google, Kwai, Meta, TikTok e YouTube.

Notavelmente, X/Twitter e Telegram, duas grandes plataformas que notavelmente são mais tolerantes com esse tipo de conteúdo, não estão na lista. Em abril, o Núcleo revelou que canais antivacina bombam forte no Telegram, e a plataforma também é a predileta de criminosos que vendem certificados falsos de vacina.

Outros órgãos envolvidos

Além do MS e da Secom-PR, a Advocacia-Geral da União (AGU), a Coordenadoria-Geral da União (CGU) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) também integram a iniciativa.

MUITO POUCO, MEIO TARDE. Qualquer iniciativa para combater hesitação vacinal é bem-vinda, mas o "Saúde com Ciência" é basicamente uma medida para ampliar o alcance das informações do Ministério da Saúde – o que é bacana, mas não chega a ser uma grande inovação.

O programa é uma saída muito fácil para as plataformas, que veem-se eximidas de precisar moderar, rotular, derrubar ou reduzir alcance de conteúdo antivax, colocando, em contrapartida, links e referências para sites do governo quando usuários fizerem buscas por palavras-chave relacionadas à vacinação.

Um “chatbot tira-dúvidas” também estará disponível no WhatsApp a usuários brasileiros a partir de novembro, além de um formulário de denúncias para desinformação em saúde.

Em um ano no qual o assunto de regulação de redes sociais bombou e basicamente desapareceu do cenário, esse tipo de iniciativa costura um manto amistoso entre Big Tech e governo, que até pouco tempo atrás não hesitava em colocar até a Secretaria Nacional do Consumidor e a AGU para atuar com moderação conteúdo, mas que hoje pouco se articula para avançar com o PL 2630.

Governo usa direito do consumidor para pressionar moderação em redes
Enquadramento de portaria do Ministério da Justiça preocupa especialistas, para os quais essa regulação deveria ser feita no Congresso
Texto Pedro Nakamura
Edição Sérgio Spagnuolo e Alexandre Orrico
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