Todos os sinais de que Musk não queria o Twitter
Arte: Rodolfo Almeida

Bilionário zombou abertamente do produto, do modelo de negócios, dos dados, de executivos e até dos escritórios da rede social, algo bem incomum para quem quer comprar uma empresa

Estavam claros nos ultimos dois meses todos os sinais de que o excêntrico bilionário (pleonasmo intencional) Elon Musk não estava tão empolgado em efetivamente fechar um acordo de US$44 bilhões pelo Twitter.

Elon Musk desiste do Twitter
Rompimento pode ter multa de US$1 bilhão. Argumento para o fim da proposta foi de que a rede social violou “múltiplas provisões” do acordo, especialmente em não fornecer dados sobre perfis inautênticos

Em primeiro lugar, ele ofereceu muita grana, mais do que a empresa vale -- US$51 por ação da empresa, a qual iniciou 2022 cotada a US$40 e agora está em US$37.

Em segundo lugar, sua oferta acabou gerando efeitos negativos em outros negócios que Musk controla, especialmente na fabricante de carros elétricos Tesla – seja pela percepção de que o foco de Musk iria para outro lugar ou de potenciais garantias financeiras pessoais que ele assumiria.

Em terceiro, e esse é o sinal mais claro de todos, Musk parecia desprezar o Twitter e não perdia oportunidade de esculhambar abertamente a empresa, inclusive funcionários dela. Isso é muito, muito incomum. A começar porque não mostra firmeza e comprometimento, mas também porque joga pra baixo o negócio bilionário que ele queria controlar.

Sua principal linha era de que a plataforma tinha muito spam e bot e que, ao fazer certas moderações de conteúdo (tipo suspender o ex-presidente Donald Trump), a rede social estava prejudicando o debate democrático.

Em várias ocasiões, ele questionou informações do Twitter de que a plataforma combate comportamento inautêntico – que basicamente são perfis falsos ou robôs que se fazem passar por pessoas. Sem dados, chegou a sugerir que 90% dos usuários diários da plataforma eram inautênticos.

O Twitter diz que esse número é menor do que 5% e que remove meio milhão de contas de spam por dia. O bilionário literalmente respondeu o tweet da empresa com essa informação com o emoji “💩”.

Seu principal argumento para melar o acordo foi de que o Twitter não entregou dados suficientes para analisar esses perfis. Em junho, ao suspender temporariamente a transação, já começava a ficar cada vez mais claro que ele não tinha firmeza para seguir em frente.

O Twitter certamente vai contra-argumentar e dizer que entregou sim os dados. O presidente do Conselho de Administração da empresa, Bret Taylor, disse em post na plataforma que o colegiado está comprometido com a venda e que planeja processar Musk.

O jogo agora é saber se o Twitter vai levar US$1 bilhão da rescisão ou se a Justiça dos EUA vai ver mérito no argumento de Musk de que a rede social não cumpriu o acordo de fornecer dados para que ele tomasse uma decisão informada.

Se você acha que a novela dessa aquisição acabou, saiba que ela só acabou de passar da metade.

Edição Laís Martins

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